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Moradores do prédio que desabou não querem ir para abrigo escolhido

Foto: Edu Garcia/R7

Os moradores do prédio que desabou nesta terça-feira (1º), no Largo do Paissandu, Centro de São Paulo, reclamam da escolha do abrigo oferecido pela prefeitura, que fica na Cracolândia. Eles dizem que não vão para lá, pois não se sentem seguros.

Jaime Ribeiro Neves, 44 anos, disse que não vai para o abrigo oferecido pela prefeitura, porque não considera o lugar adequado para famílias e trabalhadores.

A esposa de Neves, Edwiges Pinheiro, inalou muita fumaça e foi socorrida na Santa Casa. “É muita humilhação, mas eu sou trabalhadora, faço faxina e sei que vou reconstruir minha vida. Não vou para o abrigo”, diz Edwiges aos prantos.

A moradora Daiane da Silva Rodrigues, de 27 anos, faria uma entrevista de emprego na próxima quarta-feira. “Perdi tudo! Nem sei para onde vou, não quero ir para abrigo com meus dois filhos, não tem condições”, refirindo-se ao abrigo oferecido pela prefeitura. Ela conta que dez famílias dividiam o mesmo andar que o dela. “Ninguém quer ir pro abrigo. Eles dizem que não vão para lá”.

Rejane de Oliveira, 34 anos, mãe de 4 filhos, estava há um ano na ocupação. Rejane vive de bicos e também não sabe para onde ir. “Foi um tumulto. Eu estava no terceiro andar e desci correndo. Senti o calor no rosto”.

Ela está com os filhos em um colchão no Largo do Paissandu e também não pretende ir para o abrigo. “Como vou morar com meus filhos ali? É muito perigoso”. Ela conta que o pânico na hora do incêndio aumentou porque por norma do grupo as portas são trancadas as 22h e são abertas as 6h. “Um menino arrebentou a porta. Não pude voltar para pegar documentos.”
Desaparecidos
O porta voz do corpo de bombeiros, capitão Marcos Palumbo, declarou que sua equipe não trabalha mais com o número divulgado pelos próprios moradores de 45 pessoas não localizadas. Segundo Palumbo, do número dado por moradores, nove já se apresentaram ao corpo de bombeiros, reduzindo o número para 34. Ele ainda disse que o registro do número de pessoas fica muito difícil já que havia ocupação, também, no segundo subsolo do edifício.Segundo Palumbo, os bombeiros começarão as buscas manuais após 48 horas, com uso de cães e câmeras sensíveis ao calor. As buscas e a presença dos bombeiros no local devem durar pelo menos uma semana.
Fonte: site R7