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‘Gatos’ de água causam maior parte dos prejuízos da Embasa, diz presidente

Mais de 3 mil ligações clandestinas de água foram registradas pela Embasa nos municípios da Bahia atendidos pela companhia no ano passado. O número foi relevado pelo presidente da empresa, Rogério Cedraz, em entrevista ao programa Conexão Sociedade na manhã desta segunda-feira (5). De acordo com ele, os ‘gatos’ são os maiores responsáveis pelos prejuízos com os quais a companhia arca anualmente e, ainda, podem afetar a rede, trazendo riscos de contaminação à água que é distribuída.

“A maior parte dessa água foi efetivamente entregue a algum usuário. O que a empresa não conseguiu foi contabilizar. Mais da metade dessas perdas é dessas ligações clandestinas, que geram prejuízo enorme para todo o sistema, pois são feitas sem nenhuma técnica – as pessoas acessam nossas tubulações, fazem um furo e conectam uma na outra. Além de gerar o prejuízo da perda de água, pode contaminar a rede”, alertou.

Cedraz explicou que a companhia atua por meio de um convênio com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para combater a prática. “Autuamos, identificamos e a Polícia faz o registro do ‘gato’, que é um furto como outro qualquer. Ela registra, algumas pessoas são presas em flagrante. Essa é uma preocupação grande porque as pessoas têm que denunciar e evitá-los ao máximo”, acrescentou, lembrando ainda que restaurantes, mercados e prédios de poder aquisitivo elevado também são alvo das fiscalizações.

O presidente estabeleceu diferenças entre os serviços que são executados pela Embasa e o que é de responsabilidade da esfera municipal. “A Embasa é responsável unicamente pela oferta e distribuição da água potável e pelo esgotamento. A drenagem fica por conta das prefeituras dos municípios. Às vezes, há uma confusão entre o que é esgoto e o que é drenagem. Toda a água da chuva, por exemplo, em períodos de temporais, tem que ser escoada através da drenagem, o que, infelizmente, não é feito quando há falta de estrutura”, ponderou.

Nos casos de falta de estrutura e de orientação adequada, a solução encontrada por algumas pessoas para o escoamento da água da chuva é prejudicial, conforme Cedraz. “Abrem um desvio de esgoto para ajudar a escorrer a água, e isso é péssimo. A população deve evitar ao máximo fazer isso, pois, quando o sistema de esgoto não é dimensionado para tal, gera extravasamentos em outros pontos e até mesmo o retorno de esgotos para a casa dos usuários porque as tubulações não foram feitas para água da chuva. Apenas para esgoto”, advertiu.

Por fim, o presidente falou sobre os investimentos que estão sendo feitos pela Embasa para a melhoria dos serviços. “Só nos últimos 10 anos, na Região Metropolitana de Salvador, foram investidos mais de R$ 2,5 bilhões em sistemas de abastecimento e esgotamento sanitário. Estamos fazendo obras de esgotamento sanitário em algumas regiões de Salvador, com investimento da ordem de R$ 180 milhões. Em 2019, estão previsos investimentos que totalizam entre R$ 516 e 520 milhões ao longo do ano”, frisou.

Foto: Felipe Oliveira / Rádio Sociedade