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Transporte: 35 pessoas se ferem em 3 acidentes com ônibus em Salvador

A qualidade do transporte público de Salvador não é das melhores. A constatação é feita por quem diariamente utiliza ônibus para cruzar a cidade. O desconforto e o envelhecimento da frota tem se aliado a uma sequência de acidentes. Entre os dias 29 de abril e 04 de maio foram registrados três, com 35 feridos na capital baiana.

No domingo, 29 de abril, o motorista da empresa Plataforma Transportes perdeu o controle do ônibus ao ter um mal súbito e derrubou um poste na Avenida Oscar Pontes. De acordo com a Transalvador ao todo sete pessoas se feriram.

Na quarta-feira, 2 de maio, a batida entre um ônibus da empresa Expresso Metropolitano e uma van, terminou com 13 pessoas feridas. Entre elas haviam 3 gestantes e um recém-nascido. O acidente foi registrado na Avenida Suburbana em um retorno localizado no bairro de Itacaranha. De acordo com testemunhas o motorista da van teria avançado o sinal quando foi atingido.

Sexta-feira, 4 de maio, a imprudência de um motociclista teria sido responsável pelo engavetamento de três ônibus na Avenida Suburbana. A situação ocorreu na região do bairro do Lobato. De acordo com o Corpo de Bombeiros 15 pessoas se feriram.

Reclamações

 

Operam as 389 linhas no sistema de transporte coletivo de Salvador aproximadamente 2500 ônibus, que pertencem a três consórcios. Usuários do serviço reclamam bastante da conservação da frota e assiduidade das linhas.

Moradora do bairro de Alto de Coutos, Anna Santos diariamente utiliza os ônibus da linha Alto de Coutos / Pituba. Ela nos enviou um flagrante que fez do veículo 30466. No vídeo é possível ver que todos os parafusos de fixação do piso estavam soltos. “Eu e outra pessoa descemos do carro por medo dele se desmanchar na rua, estou indignada com o descaso a qual(sic) estamos a mercê”, afirmou Anna.

 

 

Outra reclamação frequente são as baratas que viajam ao lado dos passageiros de alguns ônibus. O ouvinte Rafa Vittar nos enviou uma gravação feita no veículo 10847 da linha Marback / Terminal Acesso Norte. Na imagem é possível observar baratas andando pelo piso. “É assim que andam os ônibus de Salvador que dizem serem limpos diariamente”, declarou.

 

 

Quando se trata da assiduidade e do operacional das linhas, as críticas são intensificadas. Todos os dias Léa Barbosa utiliza a linha Rodoviária Circular A para ir trabalhar e reclama que a demora quadruplicou: “Antigamente não levava mais que 10 minutos esperando pelo ônibus, hoje espero 40 minutos, piorou muito”, reclamou.

 

Foto: Gênesis Freitas
Ônibus da linha Sussuarana / Barra R2 parado no ponto da Estação Imbuí do Metrô. As pessoas esperavam mais de 40 minutos um ônibus que pudessem embarcar. Foto: Gênesis Freitas | Rádio Sociedade da Bahia

 

No bairro da Sussuarana os moradores tem se queixado do aumento do tempo de espera. Jeferson Bitencourt se desloca diariamente para o bairro do Comércio onde estuda. A demora e a lotação o faz pegar o primeiro ônibus que passa. “Tenho de sair de casa com mais de 2h30 de antecedência, caso não queira perder a hora do meu compromisso”. De acordo com ele o tempo que gasta com deslocamentos afeta diretamente o seu descanso.

 

A reportagem do portal Sociedade On Line foi as ruas e não teve dificuldades para flagrar ônibus com problemas que afetam o conforto e a segurança dos usuários.

 

Foto: Gênesis Freitas | Rádio Sociedade da Bahia

No veículo 13745, da empresa CSN Transportes, que fazia a linha Vale dos Rios – Stiep R3, foram vistos ferrugem, infiltração no teto e piso com chapa torta.

 

Foto: Gênesis Freitas | Rádio Sociedade da Bahia

No carro 30287, da linha São Caetano / Engenho Velho da Federação, da empresa Plataforma Transportes, flagramos ferrugem, poltrona de obesos com revestimento rasgado e botões de acionamento de parada quebrados.

 

O carro 30623, da Plataforma Transportes, que fazia a linha Pirajá / Barra, estava com as chapas do piso rachadas e soltas. Poltronas mal afixadas e janelas com vidro batendo.

 

Renovação de Frota

 

Foto: Gênesis Freitas | Rádio Sociedade da Bahia

As empresas tem alegado prejuízo operacional para não realizar a renovação de frota exigida pelo edital de licitação. O contrato prevê que a idade média dos veículos seja de, no máximo, 4 anos. De acordo com a Associação das Empresas de Ônibus de Salvador, Integra Salvador, foi aberto um processo contra a prefeitura. O objetivo é rescindir o contrato e entregar as linhas ao município.

O Consórcio Integra alega que teve um prejuízo superior a R$ 60 milhões no ano de 2017, diante da crise econômica, da queda do número de passageiros, da chegada do metrô, da concessão de gratuidades e do avanço do transporte clandestino.

No contrato fechado com o consórcio em 2015, a previsão das empresas era de que a cidade teria uma média de 36 milhões de pessoas transportadas por mês, sendo que deste total, 28 milhões seriam “passageiros equivalentes”, classificação dada àqueles que não têm gratuidades parciais ou totais. Porém o sistema tem transportado quase 22 milhões pessoas.

Apenas em 2017 o consórcio contabilizou a perda de 13 ônibus em incêndios criminosos contra o transporte público. Um ônibus urbano básico e novo custa em média R$350 mil.

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