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Bahia vive surto ativo do Sarampo após confirmação de caso

A confirmação do caso de sarampo em uma adolescente soteropolitana de 12 anos que estava em viagem à Espanha e chegou doente à capital classificou a Bahia como local de surto ativo e acendeu o alerta para novos registros da doença. Em entrevista ao programa Conexão Sociedade na manhã de hoje (13), a subcoordenadora de Controle de Doenças Imunopreveníveis da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Doiane Lemos, falou sobre o caso e as ações que vêm sendo tomadas para combater o surgimento de outros.

De acordo com a especialista, o local onde a adolescente estava é propenso ao contágio e reforça a necessidade de medidas mais enérgicas em Salvador. “A Europa é um continente endêmico para o sarampo e, diante deste caso, precisamos tomar medidas mais amplas. Como crianças de seis meses têm grau de vulnerabilidade muito grande, estamos dando uma dose para que elas façam, nem que uma mínima proteção, e, depois de 12 meses, façam o calendário básico normal. É feita essa dose, mas não é validada para a vacinação de rotina”, ressaltou.

Para Doiane, as brechas para o alastramento do Sarampo estão sendo ampliadas pela falta da vacinação que, inclusive, pode afetar pessoas que não estão em condições de serem vacinadas, como gestantes e imunodeficientes. “Vamos imaginar um ‘muro’ com várias pessoas vacinadas, fechando esse cerco. A doença está acontecendo, mas não consegue penetrar. Se neste ‘muro’ há pessoas não vacinadas, ali está a brecha para a doença se manifeste e venha contaminar pessoas que não estão vacinadas como aquelas que, por alguma condição, seja a gravidez ou doenças de baixa imunidade, não podem ser”, alertou.

Apesar da falta de imunização completa dos indivíduos aumentar os riscos de contágio, a condição não pode servir de justificativa para a doença se alastrar, diz a subcoordenadora. “Muitas pessoas estão deixando de ser vacinadas, as brechas estão acontecendo e as doenças estão se manifestando. A gente não pode colocar a culpa no venezuelano que veio para o Brasil e trouxe o sarampo. Se nós estivéssemos vacinados, estaríamos em uma situação tranquila”, enfatizou.

Doiane ainda chamou atenção para a dúvida gerada por alguns dos sintomas do sarampo, que são semelhantes aos de outras doenças. “Muitas vezes, pode ser confundida com rubéola, roséola, escarlatina, porque são doenças que deixam a pele avermelhada. Os pais podem achar que a criança já teve sarampo quando, na verdade, pode não ter sido. A evidência é obtida através de exames laboratoriais e, como as pessoas não podem perder tempo fazendo exames para descobrir, o melhor é garantir a vacinação”, reforçou.

A vacinação contra o sarampo segue em Salvador. No total, 129 salas de imunização das unidades básicas de saúde da capital estão disponibilizando a vacina, de segunda a sexta-feira, de 8h às 17h. Durante o Dia D, no último sábado (10), cerca de 20 mil pessoas foram imunizadas.

Nos sintomas, o doente apresenta febre acompanhada de tosse, irritação nos olhos, nariz escorrendo ou entupido e mal-estar intenso. Em torno de 3 a 5 dias, podem aparecer outros sinais, como manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo corpo. Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, especialkmente em crianças menores de 5 anos de idade.

Foto: Gênesis Freitas / Rádio Sociedade