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BIPOLARIDADE: “diagnóstico pode demorar cerca de oito anos”

O programa Viva Bem desta sexta-feira (30), que foi ao ar na rádio Sociedade da Bahia, recebeu o psicólogo André Doria para falar sobre Transtorno Bipolar. Entre outros assuntos, o especialista explicou como é possível diagnosticar um caso de bipolaridade.

“Para receber esse diagnóstico, primeiro é necessário passar por um psiquiatra. Um diagnóstico preciso, dura em média oito anos. Isso porque a pessoa pode ser diagnosticada com depressão inicialmente… vai em um psiquiatra, toma medicações antidepressivas e ao invés de melhorar entra para um quadro de euforia que é o oposto da depressão. Então, a pessoa tem que passar por fases de depressão diagnosticadas claras, e fases de euforia, desinibição, aceleração mental”,  ressalta Doria.

O psicólogo enfatiza que quanto mais cedo o paciente for diagnosticado melhor. É importante também sabe como lidar, pois cada pessoa tem uma personalidade e age de maneira diferente.

“É sempre muito complicado dizer como agir com a pessoa que tem esse transtorno porque cada pessoa que tem um diagnóstico de transtorno bipolar vai ser diferente da outra.. não é igual ao diabetes que todo mundo que tem vai tratar do mesmo jeito. É saúde mental.  A família deve procurar ajuda de um profissional que conheça o caso e as especificidades do caso pra poder ajudar. Não tem uma dica geral. Algumas pessoas vão precisar de carinho, outras, de limites”, avaliou.

Suícidio x bipolaridade

De acordo com a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), 4 milhões de pessoas sofrem de transtorno bipolar no Brasil. Essa é a doença que mais causa suicídios em todo o país.

O psicólogo exemplifica: “na depressão como a gente já sabe, a pessoa perde a vontade de viver e muitas vezes pode cometer suicídio. Já na euforia, a pessoa perde a autocrítica e por exemplo, pega o carro, acha que é um piloto de fórmula 1, sai dirigindo correndo, bate, morre e vai para as estatísticas de acidente de trânsito, quando na verdade tava em um quadro eufórico. Então, é preciso cuidado com essas questões, porque tanto na depressão quanto na euforia há riscos inclusive de vida”.

A bipolaridade vai além

Ainda durante a entrevista, o psicólogo André Doria destacou que é preciso estar atento para não cair nas generalizações. Ele conta que é preciso entender um pouco, estudar sobre o transtorno, sobre o que é depressão e o que é euforia. “Muitas pessoas comentam no dia a dia: fulano é bipolar e acaba banalizando a doença”. O profissional lembra ainda que uma pessoa com quadro bipolar, muitas vezes é julgada moralmente pelos familiares. Quando na verdade, muitas vezes, a pessoa está incapaz, em determinados momentos, de responder de forma racional pelos seus atos.

“A pessoa gasta demais, se expõe, se coloca em situações de risco. E a família acaba indo por um viés moralista. Diferentemente da depressão, na euforia, a falta de censura associada a pensamentos grandiosos – a pessoa se sente Deus, toda poderosa. Isso faz com que ela se exponha a situações das mais variadas de risco”, conclui.

Quer acompanhar a entrevista completa? Acesse nosso vídeo salvo no Facebook e esclareça suas possíveis duvidas.

VIVA BEM vai ao ar de segunda à sexta-feira, às 16h, na Rádio Sociedade da Bahia. Você também pode participar do nosso programa pelo Facebook e Instagram. Faça a sua pergunta através do telefone (71) 3486 3201 ou pelo WhatsApp (71) 9 9656-1025.

Andre Doria – formado em psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA);  pós graduado em saúde mental coletiva pela Faculdade Ruy Barbosa; mestre em psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA); coordenador do Programa de Tratamento de Transtorno Bipolar da clinica Holiste.

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