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Machismo amplia violência doméstica, analisa major da PM-BA

Em entrevista ao programa Conexão Sociedade na manhã de hoje (14), a major Denice Santiago, comandante da Ronda Maria da Penha, unidade da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) que acompanha mulheres vítimas de violência doméstica, comentou sobre o enfrentamento ao problema. Na sua avaliação, o machismo está diretamente relacionado à prática e, portanto, o entendimento do ciclo da violência e dos relacionamentos abusivos é fundamental.

“Durante todo o relacionamento, seja de uma semana, um dia ou um ano – o tempo não é determinante neste caso – um homem pode deu sinais de que era um propenso agressor. Ele foi construído em uma cultura em que esta possibilidade da violência como primeira resolução de conflitos se aplicoa. Nossa sociedade usa-a como primeiro sinal para a resolução de conflitos”, disse.

A major ressaltou ainda que o combate ao machismo ainda não é uma tarefa fácil e que enfrentá-lo não significa reduzir o papel dos homens na sociedade. “[O machismo] tenta sobreviver às vacinas que a sociedade tem criado para poder bani-lo das nossas relações. Não queremos dizer que a concepção do masculino como gênero atuante ao lado da mulher na construção de uma sociedade é menor, mas tirar dos ombros dos homens essa perspectiva que eles precisam ser fortes e dominantes durante todo o tempo. O feminismo, por exemplo, ao contrário do que muita gente pensa, propõe que homens e mulheres vivam em igualdade de direitos, deveres e obrigações, nada além disso”, enfatizou.

Denice considerou que a maior causa da reprodução de práticas e perspectivas machistas ocorre desde a infância, e que, mesmo que o engajamento em torno do combate seja grande, o risco de continuá-las perpetuando, ainda que por acidente, existe. “O que precisamos fazer é conversar com quem mais pudermos para refletir e entender. Vamos assumir que somos machistas e, a partir daí, dosar minha atuação tirando de nós essas perspectivavas tão complicadas e danosas. A violência doméstica está no meio, pois traz essa coisa de que a mulher é a doméstica, a dona de casa e a do lar, e que o homem é o dono da família que decide tudo, que pode fazer tudo”, completou.

Foto: Gênesis Freitas / Rádio Sociedade

    
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