Digite sua busca

 

 

Bahia Notícias Notícias em destaque SAÚDE Serviço

Artigo sobre mosquitos transgênicos será refeito, diz pesquisadora

Um estudo que analisou a eficiência de mosquitos transgênicos descendentes do Aedes Aegypti, que foram espalhados entre 2013 e 2015 na cidade baiana de Jacobina para tentar reduzir a transmissão de doenças pela espécie, tem causado polêmica nos últimos dois dias. A análise, publicada no último dia 10 na revista especializada Nature: Scientific Reports e divulgada em matéria do canal alemão Deutsche Walle, apontou que a maior parte dos insetos se reproduziram normalmente e não morreram, contrariando as expectativas de início. À época, o experimento foi autorizado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Em entrevista ao programa Conexão Sociedade na manhã de hoje (19), uma das autoras do estudo e coordenadora do Laboratório de Mosquitos Geneticamente Modificados da Universidade de São Paulo (USP), Margareth Capurro, explicou que a análise foi mal interpretada. De acordo com a pesquisadora, em análises do gênero, dados negativos e positivos são apresentados, mas a divulgação prevaleceu sobre o primeiro tipo. Ela contou ainda que, devido ao erro, o artigo será refeito.

“O que acabou acontecendo foi uma inversão. Eles [mosquitos] estão desaparecendo, o que é um lado muito positivo para a pesquisa. Acabou passando apenas o lado negativo e deu essa interpretação tendenciosa de que o mosquito é do mal. Inclusive, estamos retomando esse artigo. Ele está em discussão e, provavelmente, vai ser reformulado porque esta não foi a conclusão. Gerou toda esta polêmica e a interpretação errada de que estamos gerando monstros, quando ocorre o contrário. O mosquito realmente desparece da população conforme o tempo”, afirmou

Margareth ressaltou ainda que o mosquito geneticamente modificado foi feito para a prole morrer, e que o estudo não analisou a capacidade dele transmitir as três doenças (dengue, zika e chikungunya). “Tanto é que mostramos que o nível de infecção é igual ao da população natural. Se olharmos mais com calma um detalhe mais complicado de a comunidade perceber, aquele número que mostra que você tem até 60% dos mosquitos que seriam transgênicos, é durante a supressão. Isso significa que a população selvagem não resistia em 80% dos casos, só existia o mosquito que estava sendo liberado para fazer o tratamento”, acrescentou.

“Se tem 80% da redução da população, o mosquito que se pega é aquele que se está liberando. É natural esse resultado. Quando para a liberação, que é o que corresponde só ao monitoramento pós-liberação, onde a população natural volta a crescer porque parou o tratamento, esse número cai até 2%, ou seja, ele foi realmente sendo eliminado. Na figura em que mostramos que os níveis de infecção são exatamente iguais, mostramos também que a população selvagem tem o mesmo potencial de transmissão. Então não tem absolutamente nenhuma modificação em relação à transmissão. Eles são exatamente iguais aos naturais. Essa é uma outra busca. Buscamos uma linhagem que não transmita mais, mas, ainda é pesquisa de laboratório”, continuou.

A pesquisadora afirmou também que os mosquitos são eficientes no combate à transmissão das doenças. “Podemos dizer que são um insecticida natural, pois não é químico nem agrotóxico, e atinge aquela espécie. É uma técnica sem interferência em insetos, como a abelha. Não visa, em nenhum momento, interferir em transmissões de doenças nesse aspecto. A hipótese é: se você não tem mosquito, não vai ter a transmissão da doença, indiretamente”, finalizou.

Ouça novamente a entrevista:

 

Foto: Divulgação / Fiocruz

    
 WhatsApp
 Baixe o aplicativo Sociedade Play
X