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Itália se recusa a socorrer navio de imigrantes

Foto: Hermine Poschmann/Misson-Lifeline/Handout via Reuters

Roma solicitou que Malta abrisse seus portos para o barco Lifeline, fretado por uma ONG alemã. Mas o governo populista italiano voltou a ameaçar o navio com 239 imigrantes a bordo. E o ministro do interior italiano, Matteo Salvini, do partido de extrema-direita liga do norte, advertiu que a embarcação deverá ser “sequestrada e sua tripulação detida”.

O governo italiano se recusa a receber o navio em portos do país e acusa a ONG alemã de ter violado o direito internacional ao resgatar imigrantes na Costa da Líbia, no momento em que a Guarda-Costeira do país africano estava prestes a socorrê-los.

O Lifeline aguarda hoje em águas internacionais uma solução diplomática sobre seu destino. O navio espera também receber rapidamente água e alimentos para os 239 imigrantes a bordo, incluindo 14 mulheres e quatro crianças.

Europa dividida

O incidente acontece menos de uma semana após a odisseia de um outro navio humanitário, o Aquarius, que pode finalmente aportar na Espanha com 630 imigrantes a bordo.

A cúpula dos dirigentes do bloco europeu no domingo (24) em Bruxelas deve ser marcada por muita tensão. Roma vai defender uma proposta mais severa para conter a imigração, que conta com o apoio de países do Leste Europeu e divide o bloco.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, chegou a pensar em boicotar o encontro, mas mudou de ideia após uma conversa telefônica com a chanceler alemã. Angela Merkel relativizou a importância da cúpula, que vai contar com a presença de ao menos 16 integrantes da União Europeia, garantido que nenhuma decisão implicando o conjunto do bloco deve ser tomada.

Mas a polêmica entre Roma e seus parceiros europeus está longe de terminar. Na sexta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, que já havia criticado o novo governo italiano, voltou a colocar mais lenha na fogueira denunciando “a lepra nacionalista na Europa”. A reação italiana foi imediata. O ministro Salvini disse “só aceitará lições” depois que o presidente francês “acolher milhares de imigrantes”.

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