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Espetáculo teatral faz paralelo entre a mitologia grega e o cotidiano atual

O Conexão Sociedade recebeu nesta sexta-feira (26) o diretor de teatro, cenógrafo e figurinista Márcio Meirelles, e a atriz, cantora e diretora teatral Chica Carelli. Eles fazem parte da peça “Por que Hécuba”, vencedora do Prêmio Braskem de melhor espetáculo baiano em 2018, em cartaz desde o dia 4 de julho até o dia 11 de agosto, no Teatro Vila Velha. Hécuba é uma personagem da mitologia greco-romana, rainha da cidade de Troia. Ficou conhecida por, durante seu período de reinado, perder a guerra, seu marido, 19 filhos e, ainda, ser escravizada pelos vencedores do confronto.

No espetáculo teatral, baseado na obra do dramaturgo romeno Matéi Visniec, são abordados a violência, a impunidade e as desigualdades sociais em um cenário de guerra atual, “que poderia estar na Bósnia, na Chechênia, em Beirute, na Somália, na Síria ou em qualquer país repartido e assombrado pelo espectro da guerra civil. Ou até mesmo o Brasil”, como dizem os autores. A peça é ambientada entre Tróia e Salvador, acontecendo, portanto, simultaneamente na Grécia Antiga e no Carnaval baiano, como um lugar entre a festividade e a tragédia.

E como a peça trata de violência, Meirelles chamou atenção para como o teatro pode ser um aliado na luta contra o problema. “É como uma assembleia para pessoas que estão presentantes que se juntam para ouvir, ver, debater e vivenciar algo que vai ajudar a “curar” e sanar certos males da sociedade. O maior dos males que estamos vivendo é a violência, que é orquestrada por deuses que não sabemos quem são”, ponderou.

Chica concordou com Meirelles e avaliou que a violência é fruto da falta de diálogo. “As pessoas estão cada uma em uma posição e não conseguem mais dialogar, a sociedade se tornou muito dura nesse sentido. É uma questão de que o diálogo não se torna mais possível e só a violência resolve. Isso é terrível”, lamentou.

Ex-secretário de cultura da Bahia, Meirelles ainda aproveitou para fazer uma análise sobre o atual momento do teatro no estado e avaliou que a atividade tem sido desqualificada.

“São muitos anos de uma dependência de políticas públicas que mudaram drasticamente na cultura e em outros setores. Há uma perseguição, criminalização e desqualificação de nossa atividade como se fôssemos bandidos e lesássemos a sociedade, recebendo recursos para a montagem. No mundo inteiro, as artes, de um maneira geral, são subsidiadas pelo Estado, para que haja um desenvolvimento e uma retroalimentação. Quando fazemos uma peça de teatro, movimentamos vários setores da economia, por várias atividades artísticas e culturais”, disse Meirelles.

SERVIÇO:
POR QUE HÉCUBA
Estreia 04 de julho (quinta-feira)
Apresentações de sexta a domingo até dia 11 de agosto
Sexta e sábado às 20h, domingo às 19h
Ingresso ( promocional até uma semana antes da estreia): R$20 inteira e R$10, meia-entrada. Depois da estreia: R$30 inteira e R$15, meia-entrada.
Classificação 14h
Duração 1h40

Foto: Gênesis Freitas/Rádio Sociedade

    
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