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Ajax Vianna: TCA relembra bailarino e clama por justiça em homenagem realizada nesta terça (28)

O caso do coreógrafo e bailarino Ajax Vianna, de 60 anos, comoveu os baianos e provocou uma ausência bastante sentida no Teatro Castro Alves, onde ele trabalhou por mais da metade da sua vida: 38 anos. Não à toa, o TCA, localizado no Campo Grande, em Salvador, fará uma homenagem ao dançarino nesta terça-feira (28), às 16h30. O evento, que será privado por conta da pandemia, contará com a presença dos antigos colegas bailarinos de Ajax e sua família.

A dor da perda e o sentimento de injustiça também fazem parte da vivência da família do coreógrafo. A filha, Marília Gabriela Vianna, de 39 anos, diz se sentir “jogada para o canto” quando o assunto é justiça. Conversando com a Rádio Sociedade sobre a homenagem, a advogada afirma que o objetivo não é apenas relembrar o pai, mas também clamar para que o caso tenha um fim justo.

“O objetivo dessa homenagem é a gente lembrar o quanto meu pai era um bom profissional, um bom bailarino, uma pessoa querida e amada, a gente ter boas memórias daquele que teve uma vida tirada de uma forma brutal. Hoje nosso pedido é para levar a memória de Ajax como ele realmente é: uma pessoa do bem, pacata e serena, um excelente profissional, com quase 40 anos de balé e Teatro Castro Alves, e também para clamar por justiça, para dizer que nós não concordamos com a forma como a justiça é feita, não só por ele, mas por todas as vítimas que nós vemos por aí. Basta a gente ligar a televisão, ligar um rádio. Meu pai foi apenas um dentre tantos outros que vieram antes e quantos virão daqui pra frente”, lamentou.

O homem suspeito de assassinar Ajax Vianna foi solto, por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), quase 10 meses após o crime. O bailarino foi encontrado morto no dia 23 de dezembro de 2020, enquanto o suposto autor do homicídio, Gefferson do Nascimento Oliveira, foi solto no dia 16 de setembro deste ano. A primeira audiência do seu julgamento ocorrerá no dia 4 de outubro.

Sobre a soltura, Marília deixou clara sua revolta e definiu seu sentimento em uma palavra: indignação. “Há muitos elementos de provas, que comprovam que ele matou o meu pai de forma dolosa, cruel. É um inquérito super bem elaborado, tem provas suficientes, testemunhas diversas foram ouvidas. Ele não trouxe nenhum elemento que comprove sua inocência”, justifica.

“É uma indignação porque ele representa risco, porque quem mata com as próprias mãos, mata qualquer pessoa. Além disso, representa uma instabilidade da nossa sociedade, porque quem vai acreditar [na Justiça]? Uma pessoa morre de uma forma tão cruel e nove meses depois o assassino pode responder em liberdade. É o judiciário que falha? É. Mas é uma lei que também não favorece as vítimas. É uma indignação, é muita tristeza, é como se meu pai estivesse morrendo de novo, é um baque muito grande, mas a gente cai pra levantar, porque esse grito de justiça nunca vai calar. É por ele e por qualquer outra pessoa que é vitima, esse mal que aconteceu vai ter que virar algo bom, uma bandeira de um luto pela paz, nosso luto é uma luta. Mas não vamos nos calar mais, não podemos ficar refém da criminalidade, de um judiciário que se cala diante de atrocidades e de um legislativo que não legisla a nosso favor”, critica Marília.

A Rádio Sociedade também conversou com o advogado Philip Peeters, que explicou o que poderia ter causado a soltura de Gefferson. De acordo com ele, existe a possibilidade de o réu responder em liberdade caso ele não traga perigo à investigação ou ao andamento do processo. Dessa forma, é possível conceder uma liminar, observando as medidas cautelares, sendo necessário monitorar os “passos” do suspeito para que ela cumpra os requisitos da liberdade concedida.

Relembre o caso

Ajax Vianna, bailarino e coreógrafo que atuava no Balé Teatro Castro Alves, foi encontrado morto, com sinais de espancamento, no apartamento em que morava, na Avenida Magalhães Neto, no bairro da Pituba. O corpo foi achado no dia 23 de dezembro de 2020.

O principal suspeito, Gefferson do Nascimento Oliveira, de 27 anos, que era companheiro da vítima, foi detido no local. Ele já possui passagem pela polícia por estupro de vulnerável e tinha mandado de prisão em aberto. Quase 10 meses após o crime, no dia 16 de setembro deste ano, Gefferson passou a responder em liberdade, por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Nascido em Salvador, Ajax iniciou seus estudos de dança na segunda metade dos anos 1970, na Escola de Ballet Ebateca, passando, posteriormente, pela Escola de Dança Cultura Física e pelo Ballet Bahiano de Tênis. A Secretaria Estadual de Cultura (Secult) lamentou a morte do bailarino e relembrou que ele ficou conhecido como “John Travolta da Bahia” após ganhar 18 concursos de dança discoteca entre os 1970 e 80. Ajax Vianna tinha 60 anos e passou 38 se dedicando ao balé do Teatro Castro Alves.

Foto: Fábio Bouzas/BTCA/Divulgação

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