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Após proposta da prefeitura, família de congolês espancado até a morte aceita gerir quiosque memorial

A família do congolês Moïse Kabagambe, que foi espancado até a morte na orla da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, aceitou a proposta da prefeitura do Rio para gerir um dos quiosques que vão ser transformados em memorial.

O memorial será realizado em homenagem à cultura congolesa e africana nos quiosques Biruta e Tropicália, onde Moïse foi morto.

Por meio de nota, a prefeitura afirmou que o contrato de concessão com os atuais operadores do quiosque foi suspenso durante a investigação do crime e disse que “caso se comprove que eles não têm qualquer envolvimento no crime, a Orla Rio discutirá a transferência para outro espaço”.

Caso contrário, o contrato será cancelado. “Ainda não há prazo para a execução do projeto. Neste momento a Prefeitura está conversando com a família”, diz a nota.

Manifestação

Centenas de manifestantes fizeram um protesto neste sábado (5), em frente ao quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, onde o congolês Moïse Kabagambe foi morto. O ato reuniu familiares de Moïse e dezenas de entidades defensoras da causa negra e dos direitos humanos, além de organizações políticas diversas.

A mãe de Moïse, a congolesa Ivana Lay, discursou rapidamente, em cima do carro de som, e pediu justiça: “Queremos justiça para o Moïse, até o final”.

Para o babalorixá Ivanir dos Santos, representante da Articulação das Populações Marginalizadas, a violência contra os negros é centenária no Brasil: “A nossa luta não começou agora. Esse é mais um passo na busca pelos nossos direitos.”

No início da manifestação, um pequeno grupo tentou depredar o quiosque, mas foi prontamente reprimido com palavras pelos organizadores do protesto.

Botamba Ipombela, um integrante da Comunidade Congolesa do Rio de Janeiro, ressaltou que Moïse saía cedo para trabalhar, a fim de levar comida para casa. “Ele estava reclamando só o dinheiro dele, para levar arroz, feijão e carne para casa. A vida dos congoleses é muito difícil aqui no Rio. Só 20% têm carteira assinada. A maioria sai à rua para vender água, vender outras coisas, para trazer comida para a família”, disse Botamba.

A representante do Movimento Moleque e da Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Mônica Cunha lembrou que a luta contra o racismo também precisa da solidariedade da população branca, embora só os negros saibam, de fato, o que passam no dia a dia. “A gente não aguenta mais ver os nossos no chão. O racismo é um problema histórico. Só quem é preto sabe o que está sofrendo. E os brancos têm que ser solidários”, ressaltou Mônica.

Outros estados

Em São Paulo, o ato aconteceu da 10h às 14h no vão do Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp), localizado na Avenida Paulista, onde se reuniram vários movimentos sociais, de imigrantes e o movimento negro. Segundo participantes, o objeltivo foi reivindicar justiça pela morte de Moïse e dizer que Vidas Negras Importam, assim como a vida de todos os negros que são mortos brutalmente no Brasil.

A coordenadora estadual de São Paulo da Frente Nacional Antirracista, Leticia Gabriella, disse que a luta antirracista é fundamental para a construção de um país justo. “Não podemos normalizar a morte do povo negro e muito menos dos nossos irmãos africanos. Temos que juntos clamar por justiça, mas também precisamos lutar para garantir o direito à vida dos negros brasileiros e africanos. A luta antirracista é fundamental para a construção de um país mais justo e igualitário.”

Em Recife (PE) o ato será às 16h, em frente ao Shopping Boa Vista, no centro da cidade. 

As informações são da Agência Brasil.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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