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Bahia terá fábrica de hidrogênio verde instalada em Camaçari

O lançamento da pedra fundamental da Fábrica de Hidrogênio Verde da Unigel, no Polo Petroquímico, aconteceu na manhã de terça-feira (26), em Camaçari. O evento contou com a participação do governador Rui Costa e de secretários do governo.

“Nos últimos dois anos, nós apostamos muito na tecnologia, no que o mundo está enxergando como a nova fronteira da energia, que é o hidrogênio. E hoje nós podemos comemorar isso, e pelas condições logísticas do polo petroquímico, pelas condições da fábrica já implantada de amônia, nós estamos saindo na frente, não só no Brasil. Mas, ano que vem, inaugurando por tanto, a unidade que terá maior produção global de hidrogênio que nos coloca na fronteira do conhecimento, na fronteira da pesquisa, para produzir energia para o mundo inteiro”, pontuou o governador Rui Costa.

Já o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, José Rocha, destacou que a fábrica vai promover uma revolução na produção de energia limpa no mundo.

“É na verdade uma revolução na produção de energia, não só do Brasil, como no mundo. A Bahia está sendo pioneira nesses investimentos. Estamos saindo na frente. E o Brasil também sai na frente desse grande projeto. É na verdade, o futuro do mundo, é a produção de energia verde”, diz o secretário, José Rocha,

O hidrogênio verde é uma fonte de alta densidade energética e de carbono nulo, produzido a partir de fontes renováveis, como a energia eólica e a solar.

Com investimento inicial de US$ 120 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 650 milhões, a planta deve entrar em operação até o final de 2023 e promete ser uma das maiores em operação do mundo.

De acordo com informações do governo do estado, quando estiver em funcionamento, a planta do combustível vai gerar 500 empregos.

A primeira fase do projeto prevê uma capacidade de produção de 10 mil toneladas por ano de hidrogênio verde.

O volume deve ser convertido em 60 mil toneladas de amônia verde, substância que poderá ser usada como matéria-prima para a produção de fertilizantes e acrílicos, ou vendida diretamente a clientes que buscam reduzir a emissão de gás carbônico nas operações.

Para o produto ser considerado verde, toda a energia utilizada no processo de transformação deve ser renovável, além de ser uma nova oferta. Ou seja, é preciso ampliar a oferta de eletricidade a partir de matriz renovável para considerar o projeto verde.

“Ao longo de nossos quase 60 anos de história, desenvolvemos tecnologias e investimos para atender às demandas industriais e do agronegócio. Com este projeto, a Unigel dá mais um importante passo rumo à descarbonização de diversos setores, contribuindo substancialmente para combater as mudanças climáticas do planeta”, afirma Henri Slezynger, fundador e presidente do Conselho de Administração da Unigel.

Nesta primeira fase do projeto, a Unigel contratou a eletricidade que será utilizada da Casa dos Ventos, que está construindo um parque eólico novo para fornecer os 60MW que serão usados pela empresa. Os três eletrolisadores padrão de 20 MW serão instalados pela thyssenkrupp nucera.

“O projeto da Unigel é o primeiro do gênero no Brasil e reforça o pioneirismo e empreendedorismo desta que é uma das maiores empresas químicas do País. Ficamos muitos orgulhosos e honrados por firmar essa nova parceria e compartilhar a experiência e a capacidade de fornecimento inigualável que adquirimos ao longo de seis décadas desenvolvendo nossa tecnologia de eletrólise”, diz Paulo Alvarenga, CEO da thyssenkrupp para a América do Sul, por meio de nota.

A fabricação de hidrogênio e amônia verdes já é um desdobramento de outras ações que a Unigel tem feito, como a parceria para produção de energia eólica, em valor superior a R$ 1 bilhão, com a Casa dos Ventos.

“A Unigel está focada em investimentos que permitam a descarbonização de suas operações e também contribuindo com soluções para a indústria”, declara Roberto Noronha Santos, CEO da Unigel.

A Bahia foi escolhida para a instalação da planta, pois a unidade da Unigel em Camaçari já possui estrutura para converter hidrogênio verde em amônia verde, e por ser um estado líder em produção de energia renovável.

Roberto Noronha Santos, destacou que a empresa está saindo na frente dos concorrentes em dois anos graças à estrutura que ela já possui na Bahia.

“Camaçari tem bastante investimentos nossos. É o único local em que temos todas as nossas linhas de produtos” destacou.

Ele aproveitou para lembrar de um outro investimento da empresa que está em andamento no polo, de R$ 500 milhões para a produção de ácido sulfúrico.

“Este aqui é o maior polo petroquímico do Brasil. Aqui mesmo já temos demanda suficiente para bancar a fábrica. O que nos levou a escolher o local é que já temos a estrutura pronta para converter o hidrogênio em amônia verde. Já tem o terminal de amônia no Porto de Aratu, tanques de amônia, planta de amônia”, completou Roberto Noronha Santos.

O lançamento do projeto responde ao Plano Estadual para Economia de Hidrogênio Verde na Bahia, lançado pelo Estado da Bahia em abril de 2022, colocando o estado baiano na vanguarda dos investimentos que permitirão a substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis no país.

O diretor executivo da Unigel, Luiz Felipe Fustaino, lembrou que nos últimos anos foram anunciados diversos projetos para a produção de hidrogênio verde, mas nenhum em escala comercial, pondera.

“A expectativa é de termos a planta pronta até o final de 2023 e aí teremos a maior fábrica de hidrogênio e de amônia verde do mundo, focando em clientes brasileiros que estão buscando alternativas de descarbonização”, completou.

Ele ainda destacou que todas as políticas que vêm sendo adotadas pelo setor produtivo para deixar de queimar combustíveis fósseis em suas estruturas de produção e NET zero (compromisso de zerar emissões de gases do efeito estufa) passam pelo uso do hidrogênio.

“Nós estamos numa emergência climática e o mundo definiu o hidrogênio como veículo principal da descarbonização. Por que? Porque ele tem um círculo perfeito. O desafio está no processo de eletrólise, mas o Brasil tem sol, vento e água para produzir energia renovável”, destacou. 

Foto: Rafael Martins / SECOM

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