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Bruno Reis diz que tem perdido o sono por conta do transporte público

O prefeito Bruno Reis vai à Brasília nesta quarta-feira (8), para se reunir com presidente da República Jair Bolsonaro e ministros de Estado, visando conseguir recursos para subsidiar o transporte público na capital baiana. O gestor afirmou hoje (7), no Sociedade Entrevista, que aquele setor é o que mais tem lhe provocado insônia. Pois em 2022 deverá haver reajuste de tarifa de ônibus, além da inauguração do sistema de BRT, e implantação do ônibus elétrico, o que vai demandar aumento de despesas.

“Depois da pandemia [da Covid-19] o que mais tirou o sono do prefeito, o maior problema que eu enfrentei, foi o transporte público […]. Ano que vem precisa dar reajuste na tarifa. E como é que vai dar reajuste com o diesel aumentando 70%? Um ônibus que custava R$ 400 mil, agora foi para R$ 600 mil. O pneu aumentou 60%, as peças [automotivas] também. Os insumos que compõem o transporte público aumentaram, e aí? Os prefeitos estão desesperados, pois é fato, a tarifa não remunera mais o sistema”, declarou.

Ainda na entrevista, Bruno teceu duras críticas à ausência de apoio do governo federal, e disse que “Brasília fica muito distante das cidades e se afasta do mundo real”. O gestor pontou que é preciso que o Governo envie subsídios para amparar o sistema de transporte dos municípios, caso contrário, poderá acontecer no Brasil a nova “revolta do buzu”, como foi em 2013.

“Vocês lembram das manifestações que aconteceram em 2013, aquelas manifestações que pararam o Brasil? Ano que vem vai se repetir. Se eu for cumprir o contrato que está assinado em Salvador a passagem vai para a casa de R$ 5. Tem condições de fazer isso? Não, o povo não aguenta pagar”, questionou.

Bruno completou: “Em 2020 tinha a expectativa de ter o subsídio, chegou a ser aprovado no Congresso Nacional, um projeto de lei. Vinham R$ 84 milhões para Salvador, o [então prefeito] ACM Neto chegou a pagar o desequilíbrio de 2020 confiando nesse dinheiro que depois não veio. O projeto foi vetado. Qual a proposta de nós, prefeitos? É que haja um subsídio – principalmente para compensar a gratuidade do idoso, e evitar um aumento na tarifa de ônibus”.

Bruno ainda colocou a redução de passageiros durante a pandemia como outro fator que colaborou para o cenário atual enfrentado pelo transporte público coletivo de Salvador.

“Salvador transportava 28 milhões de passageiros por mês. Na pandemia caiu para 10,8 [milhões]. Mas nós tínhamos que manter a mesma quantidade de ônibus rodando, para diminuir a aglomeração no transporte público para não aumentar a transmissão do vírus. Agora, pós pandemia, nós subimos para 17 milhões [no número de usuários de ônibus], mas estamos transportando 10 milhões a menos do que transportávamos. Então, houve uma queda da receita do sistema e um aumento da receita”, afirmou.

Foto: Betto Jr. | Secom