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Cine Metha Glauber Rocha abrigará Panorama Coisa de Cinema

O horizonte do cinema Glauber Rocha começa a se tornar mais ensolarado novamente. Depois de ter o patrocínio do grupo Itaú, da família dos cineastas Walter e João Moreira Salles, encerrado abruptamente em setembro, o espaço histórico da Praça Castro Alves ganhou um novo apoiador: o grupo Metha, antigo OAS.

 O grupo já pensa em planos para o futuro. “O grupo Metha nos procurou logo depois do anúncio da saída do antigo patrocinador, e mostrou bastante interesse na parceria, na manutenção do equipamento, entendendo a importância desse cinema para o centro histórico, para Salvador, os cinemas do mundo todo”, explica Cláudio Marques, cineasta e gestor do espaço, que agora já ostenta seu novo nome: Cine Metha Glauber Rocha.

“A gente está falando de um movimento mundial pela preservação das salas de cinema”, diz Cláudio, em referência à onda de fechamento de cinemas, em especial os que não fazem parte de grandes franquias. Em Salvador e afastados dos grandes shopping centers, os filiados ao circuito Sala de Arte permanecem sem perspectivas para retornarem o funcionamento, com exceção do Cine MAM.

Além do novo patrocinador, o grupo Glauber Rocha também teve sua concessão de uso do espaço estendida por mais cinco anos pelo Governo do Estado. Apesar de ainda não ter uma previsão definida de retorno, Cláudio vê nesse panorama uma nova estabilidade. “A gente está construindo condições muito mais favoráveis para o nosso trabalho. Vamos voltar e trabalhar na nossa programação, que não difere muito de como era antes, mas vamos trazer muitas novidades dentro de três pilares”, ele adianta.

“Primeiro, que sabemos que nossa vocação é o cinema brasileiro. Sempre foi. Exibimos cinema mundial de uma maneira geral, mas o nacional é o nosso chamado. E quando falo cinema brasileiro, é claro que estou falando do cinema baiano também. Segundo é a democratização do acesso às salas. Queremos encher as salas de estudantes, de jovens. É um cinema de rua, é muito simples entrar ali, diferente de um cinema que às vezes tem muitas barreiras até entrar. E tem a diversificação do olhar, a variedade que o cinema traz”, detalha Marques.

Panorama vem com tudo

Para Cláudio, os últimos meses ressaltaram a importância e a dificuldade do cinema.

“A cultura é muito forte, vai existir sempre, mas economicamente, ela sempre é muito frágil. Ela só existe quando a gente consegue somar forças, tanto do poder público quanto o privado. O que aconteceu com o Glauber é uma grande lição sobre a união para dar sustentáculo a um projeto cultural muito importante para a cidade”, explica.

“A gente não vive sem cultura”, o diretor reflete. “A gente não pode viver como estávamos vivendo eternamente. Um dia, vai ser necessário sair, visitar nossa cidade, deixar de estar fechado em casa, encontrar as pessoas. E uma sala de cinema oferece isso… Não tenho nada contra o streaming, mas uma sala de cinema é um encontro, e é uma experiência artística e cinematográfica de qualidade, insubstituível”.

Ainda se recuperando dos efeitos dos dois últimos anos enquanto a cidade entra em uma fase de reabertura dos espaços públicos, Cláudio tem ponderações.

“A gente sobreviveu. Se fala de aprendizado, mas foi algo muito duro. Perdemos pessoas muito próximas e amadas. Tem um sofrimento muito grande nesta situação. Mas o que se tem agora também é um desejo pela vida, de pensar na nossa própria existência de uma maneira mais apaixonada, de se reunir e encontrar as pessoas”, observa.

Parte desse futuro já está certa: o Glauber Rocha sediará, como de costume, o Panorama Coisa de Cinema. Será entre os dias 1º e 8 de dezembro a 17ª edição da mostra – que será diferente.

“O formato vai ser híbrido. O Panorama é um festival que demanda muito tempo e antecedência, e estávamos preparados para uma edição online. No último momento, conseguimos o patrocínio para uma realização presencial. Será um Panorama com menos filmes, mas vamos trazer os diretores de curtas e longas. Vai ser uma bela festa aqui em Salvador”, explica.

Oito longas concorrem à Competitiva Nacional: Madalena, (Madiano Marchetti), A Felicidade das Coisas (Thais Fujinaga), Mata (Fábio Nascimento e Ingrid Fadnes), Edna (Eryk Rocha), A Matéria Noturna (Bernard Lessa); Os Ossos da Saudade, (Marcos Pimentel) 5 Casas (Bruno Gularte Barreto), e Receba!, dos baianos Pedro Perazzo e Rodrigo Luna.

“É uma seleção que gosto muito. Foi fruto de muita discussão entre os curadores, muitas noites em claro. No total, foram mais de mil filmes para assistir ao longo de 8 meses. Chegar a um recorte é muito difícil, a gente não consegue abarcar tudo. Mas são filmes muito especiais. Algumas novidades que nos arrebataram sem conhecimento prévio, e outras já com uma certa expectativa…”, conclui.

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