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Dia do Pediatra é comemorado nesta quarta-feira (27) e os desafios da especialidade médica é sinalizado

Quanto mais cedo iniciamos os cuidados com a saúde, mais chances temos de ter uma melhor qualidade de vida. E estes cuidados já começam no momento em que nascemos, na sala de parto, através do primeiro contato com o médico pediatra, profissional fundamental para a orientação e acompanhamento do desenvolvimento saudável de bebês, crianças e adolescentes, atuando na prevenção, detecção e tratamento de doenças.

O Dia do Pediatra, celebrado nesta quarta-feira (27), é uma data em homenagem a estes profissionais que reforçam a importância da promoção da saúde infantil, através da realização de consultas periódicas, desde a fase neonatal até a adolescência, e chamam atenção sobre sintomas que devem servir como sinal de alerta para pais e responsáveis buscarem atendimento de emergência.

O coordenador da UTI neonatal do Hospital Mater Dei Salvador, Hans Greve, informa que o maior desafio da pediatria no Brasil hoje é diminuir a mortalidade neonatal tardia, que ocorre em bebês com idades entre o sétimo e vigésimo oitavo dia de vida, tendo como principais causas a prematuridade e as malformações gastrointestinais, neurológicas e cardíacas.

“A mortalidade infantil diminuiu bastante nos últimos 30 anos no país, em sua maioria na faixa etária de crianças acima de um ano, que morriam por problemas como diarreia e pneumonia, mas a mortalidade de crianças de até 28 dias de vida não caiu tanto. E isso vai além do conhecimento da neonatologia. Envolve principalmente a necessidade da realização de um pré-natal de qualidade e completo, que possa identificar casos de gravidez de risco, e doenças do feto possam ser detectadas antecipadamente para que o bebê possa receber todo atendimento adequado no momento de seu nascimento”, destaca.

O especialista realça que a importância do pediatra ou neonatologista na sala de parto é reconhecida pelo Ministério da Saúde desde 1993, quando passou a ser indispensável. O objetivo é garantir os primeiros cuidados ao recém-nascido, como a medição dos perímetros cefálico, torácico e abdominal, pesagem e exames fundamentais como os testes do coraçãozinho, orelhinha e olhinho, com o objetivo de detecção precoce de doenças, além de intervir nas situações emergenciais, garantindo, assim, um nascimento seguro.

“Durante o parto é importante a presença do neopediatra ou pediatra para poder identificar e tratar algumas patologias que são específicas desse momento de transição do bebê, que está saindo da circulação fetal, dentro do útero, para a circulação neonatal. O bebê pode nascer com dificuldade respiratória ou sem respirar, sem batimentos cardíacos ou com hipotonia (fraqueza muscular), e ele terá que ser reanimado por um pediatra especialista em reanimação neonatal. Esse momento também é de humanização porque, além de examinar o bebê, o pediatra, ainda na sala de parto, vai promover o primeiro contato da criança com a pele da mãe e estimular a amamentação”, afirma.

Visitas ao pediatra devem ser frequentes

Hans Greve ressalta que o período neonatal do recém-nascido, que compreende os primeiros 28 dias pós-parto, é o de maior vulnerabilidade para a saúde do bebê. Por isso, as visitas frequentes ao pediatra tornam-se imprescindíveis. A consulta de egresso, que ocorre no 5º dia após seu nascimento, é essencial para avaliação dos primeiros dias de vida do bebê.

Após o período neonatal, o bebê deve seguir uma rotina de visitas ao pediatra. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a quantidade de consultas depende da idade da criança e das necessidades específicas para cada caso, sendo mais constantes no primeiro ano de vida. A entidade recomenda que os pais levem o seu filho ao pediatra até os 18 anos de idade. 

“A partir da alta do hospital é de suma importância que todos os bebês sejam acompanhados pelo pediatra, principalmente no primeiro ano de vida, para fazer o acompanhamento do seu desenvolvimento no que diz respeito à orientação nutricional e transições alimentares, estatura e desenvolvimento neuropsicomotor” afirma o coordenador da emergência pediátrica do Hospital Mater Dei Salvador, Fábio Zattar.

O especialista destaca que o pediatra é o médico de referência de crianças e adolescentes e tem papel fundamental na orientação da fase de transição da fase infantil para a puberdade.

“Como o pediatra conhece bastante o histórico do paciente, ele tem a chance de identificar alterações de forma precoce e fazer o encaminhamento para diversas especialidades quando necessário. O pediatra tem a função também de orientar o momento de transição da infância para puberdade em meninas e meninos, envolvendo as diversas áreas relacionadas a esse momento importante da vida”, explica.

Quando ir à emergência

Além das consultas de rotinas, existem situações inesperadas em que a criança precisa de avaliação médica imediata. Em alguns casos é angustiante para os pais tomar decisões a respeito da saúde de um filho e determinar o que é uma urgência e o que é uma ocorrência médica comum. Por isso, os responsáveis precisam ficar atentos a alguns sintomas que são sinais de alerta para algo mais grave.

Zattar esclarece que a criança deve ser encaminhada para a emergência em qualquer situação que haja alteração do seu estado ou qualquer outra que a família identifique como tendo necessidade de avaliação imediata.

“Pela própria característica de desenvolvimento do sistema imunológico, as crianças são bastante suscetíveis a um grande número de viroses, principalmente considerando o contato com outras crianças, que é saudável e importante. Mas é justamente neste momento que ocorrem as transmissões de risco. Então a grande maioria dos pacientes que procuram a emergência pediátrica é por febre ou sintomas respiratórios ou os dois associados, o que é muito comum”, pontua.

A febre é constatada quando a temperatura corporal axilar ultrapassa 37,8 graus célsius.  O pediatra explica que episódios isolados de febre podem ser acompanhados em casa, mas se o sintoma persistir por mais de 48 horas é importante que o paciente seja encaminhado para uma emergência pediátrica. Temperaturas elevadas acima de 39 graus são sinais de alarme para uma avaliação de emergência imediata.

A diarreia é outra grande preocupação, sendo uma causa de morbidade de doença mais grave em crianças até um ano de idade.

“Se um paciente apresentar episódios frequentes de diarreia líquida, ele deve ser levado ao pronto-socorro de forma imediata pelo risco da desidratação. Quanto menor a criança, a desidratação pode ocorrer de mais forma mais rápida e pode até levar à morte”, alerta o especialista.

Pacientes com processos alérgicos, principalmente urticárias e anafilaxias, que são caracterizadas pelo inchaço na região da face ou qualquer área do corpo associadas à dificuldade respiratória, devem ser levados imediatamente ao pronto-socorro. Casos de intoxicação por substâncias como medicamentos ou produtos de limpeza também devem ser encaminhados imediatamente para emergência.

Os traumas são situações comuns em crianças e uma das principais causas de morbidade e mortalidade na infância. Os traumas cranianos devem ser avaliados de forma imediata. Quedas de nível, que podem acontecer da cama, sofá ou até mesmo do braço dos pais, com altura acima de 1,5 metro devem ser avaliadas no pronto-socorro.

“É importante avaliar o nível de consciência da criança. Se ela apresentar sonolência exagerada após o trauma, deve ser encaminhada imediatamente para a emergência”, afirma.

Foto: Divulgação                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

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