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Efeitos do óleo são mais nocivos para manguezais, diz especialista

Professor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e especialista na recuperação de áreas costeiras atingidas por atividade petrolífera, Ícaro Moreira avaliou, em entrevista ao programa Conexão Sociedade na manhã de hoje (22), as consequências do avanço do óleo que tem atingido desde o final de agosto as praias do Nordeste, inclusive a Bahia. Na avaliação do especialista, os efeitos do material são mais devastadores nos manguezais.

“A situação se complica, porque em uma praia, a areia é composta de um material grosseiro, onde infiltra e a própria ação das ondas ajuda na limpeza dele, na lavagem da costa. Mas os sedimentos de manguezais têm aquele material fino, do tipo lama, essa lama tem uma capacidade de se aderir ao petróleo e não soltar. Todo mundo sabe que o manguezal é o sumidouro de poluentes, e isso quer dizer que todo poluente que desce do continente e que chega do mar se liga ou gruda nestes sedimentos e ali fica depositado”, disse.

Segundo Moreira, os impactos negativos recaem sobre a biodiversidade do ecossistema e ainda não é possível medir-los. “Ali, está o caranguejo, a ostra, o chumbinho, alimentos que consumimos. A limpeza no manguezal fica muito mais comprometida e isso não vai afetar apenas o ambiente, mas os organismos que vêm do continente, do mar e que ali se reproduzem e se alimentam, e isso pode ser um impacto que ainda não conseguimos mensurar. não só aqui em nossa região, mas também em todos que foram atingidos na costa do Nordeste”, acrescentou.

O docente ainda criticou o não-acionamento do Plano Nacional de Contingência por parte do governo federal, estabelecido por um decreto presidencial de 2013, que prevê uma atuação conjunta de órgãos ambientais em caso de poluição das águas nacionais. Ele avaliou que a recuperação das áreas que vem sendo feita, embora importante, não tem sido eficaz o suficiente para atacar a raiz do problema.

“Por lei, o Ministério do Meio Ambiente, a ANP e a Marinha, que fazem parte do grupo de apoio e organização, deveriam apresentá-lo. O que temos acompanhado é que essas manchas chegam à costa, a política de recuperação nessas áreas é apenas reativa, ou seja, só se limpa o óleo que chega na areia da praia, mas a mancha que está flutuando em nenhum momento se colocam barreiras para drená-lo”, enfatizou.

“De fato, até então, não tivemos tanto apoio assim de quem deveria dar, e a população vem sofrendo muito porque agora que esse óleo chegou à Baía de Todos os Santos, que é considerada a capital da amazônia azul do Brasil em função da sua grande biodiversidade. Vivemos o momento em que esse impacto não será apenas no momento em que chega às praias, mas é importante pensar no impacto de médio a longo prazo, pois esses pescados vão acumular esses poluentes. Quanto tempo teremos que aguardar para consumir novamente esses pescados?”, completou.

Ainda de acordo com o especialista, a demora em liberar as barras de contenções nas áreas que foram poluídas fez com que a situação se agravasse. “As primeiras áreas a serem atingidas, se tivessem utilizados essas barras, ali se faria uma limpeza, não voltaria para a maré, não desceria. Agora, o Sul da Bahia ameaçado, mais abaixo, Abrolhos. Esse é um problema muito sério e somente agora o Exército foi liberado para atuar em campo. Por que não se mobilizou antes? Talvez se fosse uma região com maior interesse econômico, por parte da política, isso já teria ocorrido logo no primeiro dia”, criticou.

Foto: Divulgação/ Defesa Civil de Camaçari

    
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