Tradicionalmente marcado por encontros, comemorações e clima de alegria, o fim do ano nem sempre é vivido dessa forma por todos. Para parte da população, o mês de dezembro desperta sentimentos de desânimo, apatia e uma sensação difícil de explicar. Esse quadro é conhecido como Transtorno Afetivo Sazonal (TAS), conhecido como “Depressão de fim de ano”, e foi o assunto abordado no programa Conexão Sociedade, exibido nesta quarta-feira (31), com a participação da psicóloga Marília Mascarenhas.
Ao contrário do que muitos imaginam, o TAS não se resume a um abatimento momentâneo. Trata-se de uma condição clínica que pode gerar sofrimento intenso e comprometer significativamente a rotina da pessoa. Durante a entrevista, Marília explicou que os primeiros registros científicos sobre o transtorno surgiram na Europa, ainda no século XIX.
“Médicos da época perceberam que, durante o inverno, havia um aumento expressivo de quadros de melancolia. A redução da luz solar interfere na produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina, além de alterar hormônios como a melatonina”, explicou a psicóloga.
Como o transtorno se manifesta
Nos países do Hemisfério Norte, o TAS costuma estar associado aos meses mais frios. Já no Brasil, a condição aparece com frequência no período do verão, especialmente próximo às festas de fim de ano. Segundo especialistas, isso ocorre por uma combinação de fatores emocionais, sociais e pela forma como cada pessoa vivencia esse período.
Os sinais costumam surgir de maneira gradual e podem se intensificar ao longo do tempo. Entre os principais sintomas estão:
- Desconforto físico, como sensação de aperto no peito ou mal-estar abdominal;
- Mudanças no sono, que variam entre insônia, sono agitado ou excesso de sono;
- Instabilidade emocional, com irritação constante, impaciência e tristeza intensa;
- Afastamento social, evitando compromissos profissionais e encontros familiares;
- Dificuldade cognitiva, como problemas para se concentrar, organizar tarefas e tomar decisões.
Grupos mais suscetíveis
Alguns perfis tendem a apresentar maior vulnerabilidade ao Transtorno Afetivo Sazonal. Entre eles estão:
- Pessoas que já enfrentaram episódios de depressão;
- Indivíduos em processo de luto, para quem as festas reforçam ausências e lembranças dolorosas;
- Jovens impactados pela pressão das redes sociais, onde a comparação constante com estilos de vida idealizados pode gerar frustração, culpa e sensação de inadequação.
Cuidado e acompanhamento são essenciais
O tratamento do TAS exige uma abordagem integrada. A atuação conjunta entre psicologia e psiquiatria é fundamental para avaliar cada caso de forma individualizada. Enquanto o acompanhamento psicológico ajuda a ressignificar experiências e emoções, o suporte psiquiátrico pode ser necessário para ajustes clínicos específicos.
Especialistas alertam que adiar a busca por ajuda pode agravar o quadro. O consumo excessivo de álcool, muitas vezes usado como tentativa de aliviar o sofrimento, tende a piorar os sintomas e interferir negativamente no tratamento.
Buscar apoio profissional é um gesto de cuidado consigo mesmo. Enfrentar esse tipo de sofrimento sozinho não é recomendável — reconhecer a necessidade de ajuda é um passo importante para preservar a saúde mental, especialmente em períodos emocionalmente sensíveis como o fim do ano.
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