Digite sua busca

 

 

Notícias Notícias em destaque

Ford: a empresa que revolucionou a economia da Bahia

Antes de se instalar no Polo Industrial de Camaçari-Ba, em outubro de 2001, se tornando a primeira indústria automotiva no Nordeste, a Ford foi disputada por muitos governantes que desejavam receber a nova unidade da fábrica que produziria inovadores modelos utilitários no Brasil.

Quem saiu na frente da disputa foi o Rio Grande do Sul, por intermédio do então Governador Antônio Britto (PMDB), que assinou um contrato com a norte-americana em 1998, garantindo concessão de incentivos fiscais e terreno público, obras de infraestrutura e repasse de cerca de R$ 400 mil, em valores daquela época, para instalar a montadora na cidade de Guaíba-RS.

Apesar do contrato firmado e cláusulas estabelecidas, o sucessor de Britto no governo gaúcho, Olívio Dutra (PT), considerou que o acordo traria um grande impacto lesivo aos cofres públicos, pedindo, portanto, uma revisão. Isso gerou um desgaste muito grande na relação entre os empresários e o governo do Rio Grande do Sul, resultando na rescisão contratual em 1999.

Investida baiana

Observando este cenário, o governo da Bahia – através do então governador César Borges e do então senador Antônio Carlos Magalhães, ambos do PFL – abriu negociação com a Ford, oferecendo incentivos fiscais e investimentos para trazer o empreendimento para o polo industrial de Camaçari-Ba.

O governo baiano já idealizava um projeto para atrair montadoras do setor automobilístico para o estado, e o ponta pé inicial se deu em 1997, com a aprovação da Lei Federal nº 9440/97, de autoria do então deputado federal José Carlos Aleluia (PFL), que criava uma série de incentivos fiscais para que as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste tivessem capacidade de atrair fábricas de automóveis, que sempre tinham como destino as regiões Sul e Sudeste do país.

A legislação foi aprovada, e os investidores começaram a aparecer. A Bahia conseguiu atrair duas grandes montadoras coreanas: a Hyundai e a Asia Mortors. Porém a crise financeira na Ásia impossibilitou que o empreendimento fosse avante.

Com a estrutura já preparada, o governo da Bahia aproveitou o imbróglio da Ford com o governo gaúcho, e partiu para uma série de negociações. Houve até a publicação de um comercial nos principais jornais no Brasil, que alfinetava os adversários políticos do Sul, e garantiam abertura para o acordo comercial: “GM e Ford, venham para a Bahia. Aqui, a gente honra os compromissos e está sempre andando na frente”.

A decisão da Ford em trazer a sua fábrica para a Bahia se deu no segundo semestre de 1999, mas a inauguração só aconteceu em outubro de 2001, após uma série de reformulação na legislação vigente na época.

Sergio Figueiredo / Divulgação

Encerramento das atividades e impacto econômico

O fechamento da fábrica Ford na Bahia, representa o fim de uma parceria de duas décadas de muita prosperidade, tanto para a empresa, quanto para o estado. A instalação da montadora americana em Camaçari, colocou a Bahia no rol de estados produtores de automóveis no Brasil, gerando emprego, renda e aumento do Produto Interno Bruto (PIB). Agora resta contabilizar o impacto no orçamento do estado da Bahia, e

De acordo com o economista da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, há diversas empresas ligadas diretamente a Ford, que serão impactadas. Além disso, ele comenta que na região não há empresas automobilística em que os profissionais demitidos possam ser aproveitados.

 “São atualmente pouco mais de mil trabalhadores formais na indústria de peças e acessórios, sem falar nas indústrias de pneus, tecidos para estofados, entre outros produtos que compõem os veículos e que serão forçados a reduzir a produção ou até mesmo ter a decisão pelo fechamento, caso seja totalmente vinculada a cadeia da Ford”, disse.

Foto: Reprodução | Ford Brasil

“O grande problema é que a crise do coronavírus, que impactou e muito a economia nacional e regional e, desta forma, as oportunidades de realocação são cada vez menores. Além de que não há uma indústria automobilística na região para que possa agregar os profissionais que serão demitidos. Ou seja, é razoável dizer que pelo menos 6 mil famílias serão impactadas pelo fechamento da Ford em Camaçari”, afirma Dietze.

Leia também:

Ford anuncia o fim da produção de veículos no Brasil

Fecomércio-BA lamenta saída da Ford da Bahia e avalia impacto social

Foto: Reprodução/ Ford

Tags:

Leia também