A transição entre o verão e o outono tem intensificado casos de hiperpigmentação em Salvador, fenômeno que especialistas já classificam como “epidemia das manchas”. Segundo dados do IBGE, a capital baiana possui 83,2% da população autodeclarada preta ou parda, justamente o grupo mais afetado por condições como melasma, foliculite e hiperpigmentação pós-inflamatória. O problema vai além da estética e se consolida como um desafio de saúde da pele negra e saúde pública.
Mesmo com a redução aparente da intensidade solar, a radiação UVA e a luz visível continuam impactando diretamente os melanócitos, células responsáveis pela pigmentação. Em peles negras, essas estruturas são mais reativas, o que aumenta o risco de manchas. A médica Danìelà Hermes alerta que a falsa sensação de proteção natural leva muitas pessoas a negligenciar cuidados básicos, agravando o quadro durante períodos de mormaço.
Além das manchas, especialistas chamam atenção para um risco ainda maior: a dificuldade no diagnóstico precoce de doenças de pele, incluindo câncer. Dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) apontam que o diagnóstico tardio em populações negras ainda é um problema. Para identificar sinais suspeitos, médicos recomendam o protocolo ABCDE, que observa assimetria, bordas, cor, diâmetro e evolução das lesões, critérios essenciais para detecção precoce.
Confira os principais sinais de alerta para manchas na pele:
- Assimetria ou mudança de cor na mesma lesão
- Bordas irregulares ou mal definidas
- Crescimento progressivo acima de 6 mm
- Alterações recentes como coceira, sangramento ou mudança de formato
Apesar do senso comum, a maior quantidade de melanina não garante proteção total contra os danos solares. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o melasma afeta até 35% das mulheres brasileiras, com maior gravidade em fototipos mais altos. Entre os homens, a foliculite também aparece como fator relevante, especialmente em regiões quentes.
A prevenção exige cuidados contínuos, como uso de protetor solar com cor, antioxidantes e acompanhamento dermatológico. Procedimentos modernos, como peelings superficiais, microagulhamento e lasers de picosegundos, surgem como alternativas seguras para tratar a hiperpigmentação. Especialistas reforçam que o cuidado com a pele deve ser rotina, destacando a importância da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado da pele negra.