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‘Movimento Volta às Aulas Salvador’ convoca uma manifestação para a tarde de hoje (18)

O ‘Movimento Volta às Aulas Salvador’ realizará hoje (18), às 14h30, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), uma manifestação contra a suspensão das aulas presenciais na capital baiana e Região Metropolitana de Salvador.

O grupo, que é formado por pais, professores e alunos, se concentrará em frente ao prédio da Assembleia Legislativa da Bahia e caminhará em direção à Governadoria. O empresário George Fernandes, dono de uma unidade escolar em Camaçari-BA, veio à Salvador para participar do evento e defender a pauta de retorno da educação presencial.

“Nós defendemos o retorno seguro e facultativo das aulas presenciais em Salvador. Hoje na rede privada temos dois grupos: o grupo de escolas grandes tradicionais, e as escolas de pequeno porte dentro de Salvador e Região Metropolitana. As escolas de pequeno porte são aquelas que têm no máximo 200 matrículas. Então a situação está insustentável desde o ano passado, principalmente para as pequenas. Muitas já fecharam por não conseguirem se manter”, disse.

Em relação ao risco de contaminação dos alunos, devido ao aumento de casos de contaminação pela covid-19 na Bahia, George pontua que o aumento da transmissão do vírus se dá por questões comportamentais de pessoas que precisam de instrução, e que a escola tem exatamente esse papel pedagógico.

“As pessoas não têm se comportado e isso tem elevado o número de casos [de covid-19]. Nas escolas, principalmente nas escolas de pequeno porte – do ensino fundamental, é justamente onde as crianças aprendem a se comportar da maneira correta. Elas aprendem regras de convivência e higiene, onde é trabalhado esse tipo de comportamento que os adultos não estão tendo”, afirmou.

Mãe de uma criança em ensino fundamental, a empresária Regina Lena, declara que o ensino à distância tem prejudicado o desempenho escolar do filho.

“Eu sou a favor de retornarem as aulas de uma maneira segura, respeitando os protocolos que já existem, porque o ensino à distância não funciona com crianças. O meu [filho] se alfabetizou no ano passado e foi uma dificuldade muito grande porque ele não consegue prestar atenção. O link às vezes cai, às vezes há interferências, pois, a casa inteira tem que ficar em silêncio, tanto a da professora quanto a dos alunos”, disse.

Regina pontua, também, a questão da segurança de algumas crianças que ficam sozinhas em casa na aula online, porque os pais precisam sair para trabalhar.  

“Os pais precisam sair de manhã cedo para trabalhar, muitas vezes não tem nem com quem deixas [as crianças], então uma criança grande toma conta de uma criança pequena. Já vimos que teve um aumento significativo de acidentes domésticos, pois não tem condições um cuidar do outro”, refletiu a mãe.

Para o advogado Ricardo Nogueira, um dos organizadores do ‘Movimento Volta às Aulas Salvador’, esses cerca de 10 meses sem aulas presenciais, muitas crianças estão desenvolvendo patologias.

“Depois de quase um ano com as escolas fechadas, tem-se observado um déficit muito grande na aprendizagem e problemas de saúde das crianças, como aumento de miopia, bruxismo, obesidade, ansiedade, depressão e até automutilação”, disse Ricardo.

Completou:

“As crianças são menos vulneráveis ao vírus. Isso já é reconhecido. O número de mortes entre crianças, adolescentes e jovens de 0 a 20 anos é muito baixo. Então não se justificam essas medidas [de suspensão das aulas]. A própria UNICEF reconhece que as escolas não são vetores de transmissão”.

Posição do legislativo em Salvador

A Comissão de Educação e a Ouvidoria da Câmara Municipal, vão realizar nesta sexta-feira (19), às 10h, uma audiência pública, para debater o retorno das aulas presenciais na capital baiana. O debate terá a mediação da vereadora Cris Correia (PSDB), que é presidente da Comissão de Educação, e do vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB), ouvidor do parlamento municipal.

Para participar da discussão, foram convidados o Ministério Público, o secretário municipal de Educação, Marcelo Oliveira, o secretário estadual de Educação, Jerônimo Rodrigues, a infectologista Fabiana Bahia, o Conselho Municipal de Educação, a Associação dos Professores Licenciados do Brasil (APLB), pais do Movimento Volta às Aulas Salvador e o SINEPE.

O que dizem o governador da Bahia e prefeito de Salvador

Rui Costa

O governador Rui Costa participou nesta quarta-feira (17) de uma videoconferência com representantes do Tribunal de Justiça da Bahia, Ministério Público Estadual e Defensoria Pública. Na oportunidade o líder do executivo estadual apresentou os indicadores de saúdes essenciais para o retorno das aulas presenciais na Bahia.

“Para que o retorno das atividades escolares possa acontecer de forma segura para os profissionais de saúde, alunos e seus familiares, três indicadores necessários para o controle da pandemia de covid-19 precisam ser reduzidos: o número de casos ativos, o número de óbitos e as taxas de ocupação de leitos e pessoas aguardando por leitos”, disse.

Na reunião, Rui Costa pontuou a gravidade da pandemia na Bahia e disse que o retorno das atividades escolares, de forma presencial, só acontecerá após a redução dos números da doença.

“É uma situação extremamente delicada que exige medidas enérgicas para conter avanço do vírus na Bahia. No momento ainda não é possível o retorno das aulas, mas com este diálogo estamos abrindo o caminho para que possamos voltar quando a pandemia estiver controlada. Neste momento, é extremamente importante que a população faça sua parte e evite aglomerações”

Bruno Reis

O retorno das aulas presenciais continua sem previsão na capital baiana.  O prefeito Bruno Reis, falou ontem (17), durante uma coletiva de imprensa, que a retomada das aulas está condicionada fatores como redução do número de ocupação dos leitos de UTI voltados para o tratamento de pacientes com covid-19.

“Condicionamos a retomada da educação [presencial] a três índices: o número de óbitos – só poderemos retomar quando tiver estabilização do número de óbitos; ao número de ocupação de leitos de UTI e ao número de casos ativos (…)  Validamos isso na reunião com Prefeitura, Governo do Estado, prefeitos, dirigentes da UPB e deputados estaduais membros da comissão da Educação”, disse.

Foto: Reprodução | Instagram | Movimento Volta às Aulas Salvador

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