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Proclamação da República: “Os cenários da época eram desfavoráveis para o império, devido ao descontentamento de setores da sociedade”, diz historiador

Além das eleições municipais, onde poderá ser escolhido pela população seus representantes a prefeitura e para vereadores, este domingo (15) tem uma simbologia, já que também é comemorado na forma de um feriado, a Proclamação da República.

Conversamos com o historiador e professor Cleiton Mesquita, onde ele expõe as nuances da época, para trazer um melhor contexto histórico do que levou a proclamação da república em 1889.

“Vivíamos em uma monarquia, tínhamos um imperador no país, na pessoa de Dom Pedro II, que herdou o trono do seu pai, que por sua vez herdou o trono também do seu pai, Dom João VI. Obviamente, dentro desta conjuntura tivemos algumas nuances até chegar a proclamação propriamente dita, já que com o advento da revolução francesa, houve a influência de boa parte dos países e das grandes nações, muitas revoluções que aconteceram principalmente na América, tinha sim influência da revolução Francesa”, afirma o historiador.

“O golpe foi articulado na pessoa do Marechal Deodoro da Fonseca, porque o exército brasileiro já vinha com descontentamento com o império desde o período da guerra do Paraguai, onde o exército brasileiro, inclusive Deodoro da Fonseca era considerado um herói da guerra, acreditavam que estavam sendo desvalorizados, desprezados pelo império, inclusive não tinham liberdade para se expressar, não tiveram as glorias que eles imaginaram que teriam após a guerra do Paraguai, então esse acumulo de descontentamentos atingiram o exército do Brasil. Por outro lado a marinha brasileira era extremamente fiel ao império, então a única esperança propriamente dita dos republicanos estava sim na figura de Marechal Deodoro da Fonseca. […]. Influenciados por essa mentalidade positivista, o exército queria uma república, mas queria uma república que garantissem mais poder, foi quando o Marechal Deodoro da Fonseca colocou o exército nas ruas e destituiu alguns poderes importantes da época”, completou.

Ainda de acordo com Cleiton Mesquita, Os cenários da época eram desfavoráveis para o império, pois além da insurgência dos militares do exército brasileiro, houveram alguns setores da sociedade que também estavam descontentes com o império.

“Sobretudo os fazendeiros do café de São Paulo, por uma questão muito obvia, eles iriam perder dinheiro, já que com a abolição da escravidão eles perderiam sua força produtiva que garantia ali o acumulo dos seus capitais, então além do exército, o império perdeu um grande aliado, que inclusive financiava o império, que eram os fazendeiros do café, além do apoio da igreja, os 3 setores de uma elite muito importante que romperam com o império”, explicou.

“Então no dia 15 de novembro houve uma proclamação da república que se deu como podia, não foi nada extremamente articulado, é tanto que no dia da proclamação os símbolos nacionais não estavam todos presentes, no dia mesmo da proclamação da república alguns historiadores analisam que o movimento cantou o hino da França, fazendo alusão a sua grande influenciadora, a revolução francesa. Até que a família real brasileira, na figura de Dom Pedro II, foram convidados a se retirar do País”, disse.

O voto no Brasil

Neste dia 15 em especial, além do feriado referente a proclamação da república, estamos no dia de eleições municipais, momento decisivo de escolha dos representantes para prefeitura e câmara legislativa. O professor Cleiton Mesquita também nos explicou todo o contexto histórico da conquista do direito ao voto no Brasil, que segundo ele, algumas conquistas foram chegando de maneira gradual como o direito ao voto de mulheres, que só foi permitido em 1932, conquistas só possíveis com o advento da República.

“Desde a constituição do império, que foi em 1824, temos ali alguns critérios para o voto no Brasil, que era chamado de voto censitário, que para poder votar era necessário a comprovação de renda, e dependendo da sua renda poderia votar para alguma esfera do poder público, e mesmo com o advento da republica propriamente dita em 1889, só em 1891 que começamos a ter algumas flexibilizações e aberturas em relação ao voto. E daí em diante com a constituição de 1891 as pessoas puderam votar para presidente e vice-presidente, claro que com limitações”.

“Mesmo com essas conquistas democráticas da republica, exemplo da conquista do voto da mulher em 1932, volta a ser suprimido por Getúlio Vargas com o estado novo, e logo após esse período tivemos o golpe militar de 64 que voltou a asfixiar o direito e a liberdade das pessoas de escolherem seus representantes, só sendo possível votar para deputado, somente em 72, quando as eleições diretas foram permitidas para o senado, e mais tarde, em 82 para governador. Veja então que o ciclo dialético se repete, e as pessoas passam a querer votar para presidente, e o movimento de diretas já começa a existir, e abertura política volta existir após algum tempo, e as pessoas passam a votar novamente para presidente só em 1989, que foi reestabelecido até os dias atuais. Então o dia 15 de novembro, embora nossa republica tenha surgido de um golpe, mas foi através dela que as pessoas que as pessoas conseguiram o direito de decidir o destino da sua vida nos aspectos políticos” argumentou o professor.

Foto: Reprodução/ Redes sociais

    
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