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Ricardo David quebra o silêncio e se manifesta sobre a reprovação das contas da sua gestão

Após a sua renuncia ao cargo de presidente do Esporte Clube Vitória, em abril de 2019, Ricardo David se afastou da vida política da agremiação. Mas os últimos episódios envolvendo a turbulenta situação financeira do Leão, fez o ex-dirigente quebrar o silêncio.

Na semana passada, no dia 3 de novembro, o Conselho Deliberativo do Vitória reprovou parcialmente o parecer das contas alusivas ao ano de 2019. Sendo que a reprovação votada foi referente ao período que vai de janeiro a abril daquele ano, cuja gestão era de Ricardo David. Em relação às contas que abrangem o período de maio a dezembro, do mesmo ano, já na gestão de Paulo Carneiro, o Conselho preferiu adiar a votação e revisar o documento.

Ao tomar conhecimento do fato, o ex-presidente Ricardo David, resolveu falar com o Sociedade Online, para explicar o ocorrido.

“É uma boa oportunidade de dar explicações, porque eu, até então, não tinha sido ouvido, sequer, pelo conselho fiscal do Vitória. É um absurdo! Se você identifica uma situação anormal é natural que você ouça [a pessoa envolvida], até para se ter uma conclusão sobre aquilo. Eu sequer fui ouvido, eu sequer tenho conhecimento desse relatório que foi encaminhado para aprovação ou reprovação”, disse Ricardo David, primeiro presidente do Vitória eleito com o voto direto do sócio torcedor.

“Em 2018, por volta de março e abril, todos os clubes da Série A do Brasileiro foram comunicados da venda dos direitos internacionais de transmissão do Campeonato Brasileiro.  Isso culminou em várias reuniões e depois foi feita uma comissão, a qual até o presidente Guilherme Bellintani [do Bahia] participou. O contrato foi concluído e todos os clubes da série A assinaram esse documento que dava o direito, na ordem de R$ 5 milhões, para todos os clubes. Então fomos à CBF e assinamos. A partir do momento em que você assina um contrato com uma instituição reconhecida, com o aval da CBF, é claro que isso passa a ser o que o mercado chama de recebível. Pois é um valor que você vai receber porque é fruto de um contrato” pontou.

Ricardo disse que o clube contou com o valor do direito de transmissão para arcar com alguns compromissos, e que inclusive havia projetado na previsão orçamentária.

“A previsão era para receber isso em junho [2018], o clube não recebeu, havia algumas pendências…lembrando que aquele ano estávamos brigando para não cair na série A, e óbvio que precisamos fazer uso desse dinheiro para evitar isso [o rebaixamento para a série B]. Em dezembro viemos a saber que havia um rompimento desse contrato, e que ele não seria mais válido, pois estava havendo um problema com a entidade detentora dos direitos de transmissão. O clube contava com esse dinheiro, pois tínhamos um contrato assinado, e por isso colocamos na previsão [orçamentária]. Esse dinheiro, R$ 5 milhões, não entrou. Por isso alguns compromissos não foram pagos, óbvio, quando se falta uma quantidade dessa”, explicou Ricardo.

O ex-dirigente, que teve as suas contas rejeitadas pelo atual conselho, explica que a prioridade foi pagar os impostos federais, para evitar que o clube fosse prejudicado com sanções: “A gente tem uma penalidade muito séria se deixar de pagar impostos, principalmente os impostos federais, por conta do Profut. Se deixássemos de pagar alguns impostos, que ficaram atrasados, por conta do dinheiro que não entrou, poderíamos ser penalizados no Profut, o que representaria um dado muito maior. Porque você traz uma dívida muito grande, uma dívida que em 90% do seu valor, vem da massa falida do Vitória S/A.”

O ex-dirigente enfatiza que com os impostos pagos ou negociados, suas contas foram apreciadas, inclusive pela Autoridade Pública de Governança do Futebol (Apfut). “tivemos as nossas contas remetidas à Apfut, e foi tudo aprovado. Deixamos tudo ‘OK’ e o Vitória com todas as certidões. Tem um detalhe que será um problema por muito tempo no Vitória: que é vincular a gestão financeira coma gestão esportiva. Se todo indivíduo que não conseguir sucesso na gestão esportiva tiver, automaticamente, a reprovação das suas contas financeiras, isso passa uma fragilidade muito grande da entidade”, completou.   

O ex-cartola comentou o atual momento que o Vitória vive na série B do Campeonato Brasileiro. Em 20 jogos, o Leão empatou nove vezes, perdeu sete oportunidades, e venceu apenas quatro disputas. Com isso acumula 21 pontos, ocupando a 16ª posição na tabela, a um ponto da zona de rebaixamento.

“Estou torcendo para que a gente consiga sair disso. Que a gente consiga melhorar. Desejo que o presidente [Paulo Carneiro] encontre um caminho de melhoras. Porque enquanto torcedor quem é que gosta dessa situação? A gente está pelo segundo ano consecutivo brigando para não cair para a série C do futebol brasileiro. Isso me deixa muito triste como torcedor do Vitória”, pontuou.

Maurícia da Matta/EC Vitória

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