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Sindicato realiza manifestação contra o assédio moral e sexual nas agências da Caixa Econômica Federal

Os bancários de todo o país se mobilizam para o Dia Nacional de Luta contra o assédio moral e sexual. O Sindicato dos Bancários da Bahia também realiza protesto, que pede a devida apuração para os casos de abuso.

Em Salvador, a manifestação acontece nesta terça-feira (05) na agência da Caixa Econômica do bairro do Rio Vermelho.

Durante entrevista na manhã desta terça-feira, o Presidente licenciado do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, falou sobre as manifestações e destacou as denúncias.

“Hoje é um dia de manifestações que acontece em todo o país, o nosso movimento “Basta de assédio”, que visa combater tanto assédio sexual quanto assédio moral, que nos últimos anos tem se intensificado nas agências bancárias, em especial na Caixa Econômica, a partir de uma postura equivocada da direção do banco, que está aumentando o nível da pressão, a chantagem contra os funcionários, que atinge em cheio os bancários, mas principalmente as bancárias. As mulheres são as maiores vítimas do assédio sexual e do assédio moral e nós não podemos aceitar que isso seja continuado como estratégia de gestão”, destacou.

As graves denúncias de assédio cometido pelo ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, contra empregadas do banco aumentaram a mobilização da categoria contra a prática assediadora das empresas que possuem metas desumanas e pressão severa por desempenho e competitividade.

“A gente quer sim cumprir os resultados da empresa, queremos uma Caixa pública, forte, que dê resultados, mas nós não podemos admitir esse volume de pressão que está acontecendo nas agências, resvalando para um alto índice de adoecimento, inclusive psíquico. Síndrome do pânico, síndrome burnout, depressão, ansiedade, já fazem parte do cotidiano dos bancários e bancárias. Aumentou o número de afastamentos, justamente porque as pessoas estão adoecendo em razão desse modelo de gestão equivocado, criminoso, que começa na presidência do banco, mas que chega também nas agências”, relatou.

Segundo Augusto Vasconcelos, eles estão cobrando da FENABAN que adote uma postura de enfrentamento ao assédio e também estão propondo a atualização da convenção coletiva e incorporar novas cláusulas e estratégias para que o assédio não continue acontecendo no Brasil.

“Nós estamos aqui, cobrando da FENABAN (Federação Nacional dos Bancos), que também adote uma postura de enfrentamento ao assédio. Então, estamos propondo a atualização da nossa convenção coletiva, para incorporar novas cláusulas, que criem estratégias para que o assédio ele não continue acontecendo nas agências bancárias em todo o Brasil. Então hoje é mais um dia nacional de protestos, fizemos um na semana passada e vamos seguir denunciando para combater o assédio moral e o assédio sexual, porque não dá para a gente vir ao trabalho e voltar doente por conta de um banco que não tem compromisso com as pessoas” afirmou.

O foco do ato desta terça-feira (05) será o respeito às mulheres, a equidade de condições no trabalho e a exigência de respeito e acolhimento às empregadas denunciadas nos casos ocorridos na Caixa.

“Amanhã vamos ter uma rodada de negociação com a FENABAN. Nessa rodada de negociação a pauta será combate ao assédio moral e ao assédio sexual. Próxima semana teremos outra rodada com outros temas, pauta da segurança, questões salariais, condições de trabalho, contratação de novos funcionários, tudo isso está fazendo parte desse calendário de negociações que acontecem até o final de agosto. E em setembro a gente vai combinar com essa possibilidade de renovar a nossa convenção coletiva de trabalho, que é a nossa luta nesse momento. Mas no combate ao assédio, nós estamos acompanhando as apurações do Ministério Público do Trabalho, também estamos acompanhando as apurações do Tribunal de Contas da União e estamos orientando que todos os colegas que sofram assédio que denuncie. Eu sei que as pessoas tem muito medo de denunciar, de serem retaliados, mas a gente está aqui para acolher, e o Sindicato vai ficar firme para garantir que as pessoas tenham a sua voz, e a sua integridade prevalecidas”, declarou.

Quando perguntado sobre se o Sindicato tem o número atualizado de pessoas que já sofreram assédio na Bahia, Augusto Vasconcelos afirmou que não há uma estatística em relação a números, mas que os casos tem aumentado bastante.

“Todos os dias chegam relatos no Sindicato de situações de assédio, a gente evidentemente, nem todos os casos são formalizados, por causa do receio. O Sindicato apura com responsabilidade, para também não fazer acusações levianas, mas de qualquer modo, o número tem crescido nos últimos anos. A gente não tem uma estatística exatamente, por conta exatamente da subnotificação. Não existe uma formalização na maioria dos casos. Mas todos os dias a gente tem acompanhado relatos de denuncias em vários locais de trabalho, de vários bancos, públicos e privados, e tem se intensificado realmente nos últimos anos, pois o volume e a pressão por resultados, resvala também para uma porta de entrada do assédio, tanto assédio moral, quanto assédio sexual, e nós estamos muito atentos a isso”, finalizou.

Assista aos vídeos da mobilização:

Fotos e vídeos: Adriana Planzo / Rádio Sociedade da Bahia       

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