O agravamento do número de mortes no Irã entrou em uma nova fase nesta sexta-feira após o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, acusar os Estados Unidos de estimularem os protestos no país. A fala acontece em meio ao reforço da repressão governamental e à adoção de um apagão quase completo da internet, estratégia usada pelas autoridades para tentar conter a onda de manifestações.
Mesmo com as restrições ao acesso à rede, Khamenei usou as redes sociais para acusar grupos de promoverem a destruição de prédios públicos a serviço de interesses estrangeiros. Segundo ele, declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump em apoio aos manifestantes teriam alimentado expectativas de mudança política no país, interferindo diretamente no cenário interno iraniano.
Em discurso contundente, Khamenei fez uma comparação entre Trump e outros dirigentes que classificou como “arrogantes”, citando o ex-xá Mohammad Reza Pahlavi, derrubado durante a Revolução Islâmica de 1979, para sustentar que figuras desse perfil acabam afastadas do poder. O líder iraniano também afirmou que a população do país não aceitará a atuação de “mercenários a serviço de forças estrangeiras” e concluiu dizendo esperar que Deus fortaleça o sentimento de vitória no coração de todo o povo iraniano.
Irã culpa EUA por protestos e endurece discurso após mortes