A expansão das organizações criminosas no Brasil tem acendido um alerta cada vez mais intenso no sistema de Justiça. Nesta segunda-feira (23), o ministro Edson Fachin, que preside tanto o Conselho Nacional de Justiça quanto o Supremo Tribunal Federal, destacou que o avanço e a transformação dessas estruturas criminosas nos últimos anos passaram a representar uma ameaça direta ao próprio Estado Democrático de Direito. Durante a abertura de um encontro nacional voltado ao tema, ele chamou atenção para a presença dessas organizações em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, ressaltando que ao menos duas facções já ultrapassaram fronteiras, adquirindo características transnacionais.
Em seu discurso, Fachin descreveu um cenário preocupante, no qual o crime organizado não apenas alimenta a violência, mas também infiltra e fragiliza instituições, interfere em mercados legais e utiliza o sistema financeiro para ocultar recursos ilícitos. Segundo ele, em áreas marcadas pela ausência do poder público, essas organizações chegam a disputar com o próprio Estado o controle territorial e o uso da força. Dados apresentados pelo CNJ reforçam essa realidade: até dezembro de 2025, mais de 12 mil ações penais relacionadas ao tema ainda aguardavam julgamento. Além disso, o volume de novos processos segue em alta apenas em 2025, foram mais de 3 mil novos casos, superando as ações arquivadas no período e, em cinco anos, o crescimento acumulado dessas ações alcançou quase 160%, evidenciando a escalada do problema no país.