O ataque anunciado pelos Estados Unidos à Venezuela pode provocar uma reviravolta no cenário energético global. Essa é a avaliação do economista Adriano Pires, especialista em energia e infraestrutura, ao comentar a ofensiva divulgada hoje pelo presidente Donald Trump. Para ele, a decisão vai além da geopolítica e tem potencial para alterar profundamente o comércio internacional de petróleo.
Pires afirma que a ação norte-americana surpreende pela dimensão e pode colocar os Estados Unidos em posição estratégica sobre as maiores reservas da commodity no mundo, localizadas em território venezuelano. Segundo o economista, esse movimento representa uma mudança estrutural na ordem energética, com impactos diretos sobre a China e efeitos ainda incertos para a Opep, em um contexto de preços mais baixos do barril.
No caso do Brasil, a avaliação é negativa. O economista alerta que a demora do país em avançar na exploração da Margem Equatorial tende a cobrar um preço alto, com a perda de investimentos para a Venezuela, que deve ampliar a abertura ao capital estrangeiro. “Mais uma vez, o Brasil pode perder o bonde”, afirma, ao destacar que a concorrência se intensifica justamente em um momento de mercado menos favorável.