O primeiro-ministro do governo Houthi do Iêmen, Ahmad Ghaleb al-Rahwi, foi morto em um ataque israelense à capital, Sanaa. Apesar da morte ter ocorrido na quinta-feira (28), a notícia foi divulgada neste sábado (30) pela agência de notícias controlada pelos Houthis. Outros ministros e lideranças do grupo rebelde também foram mortos. Dezenas de pessoas ficaram feridas no ataque.
Israel confirmou o bombardeio, afirmando que a operação teve como alvo o chefe do Estado-Maior, o ministro da Defesa e outros altos funcionários alinhados ao Irã. O exército israelense descreveu a ação como uma “operação complexa”, possibilitada por coleta de inteligência e superioridade aérea. Fontes de segurança israelenses indicaram que os alvos incluíam locais onde muitos líderes Houthis estavam reunidos para assistir a um discurso televisivo do líder Abdul Malik al-Houthi. Segundo a presidência Houthi, o ataque ocorreu durante uma conferência de rotina do governo para avaliar suas atividades.
Ahmad Ghaleb al-Rahwi, também referido como Ahmed al-Rahawi, assumiu o cargo de primeiro-ministro há quase um ano, mas era visto em grande parte como uma figura simbólica, sem integrar o círculo interno da liderança Houthi. Seu vice, Mohamed Moftah, foi designado para assumir as funções de primeiro-ministro.
Os Houthis são um grupo rebelde que controla a capital Sanaa desde 2014, em meio à guerra civil no Iêmen, enquanto o governo internacionalmente reconhecido fugiu para o exílio. O grupo é um aliado do Irã e faz parte do chamado “Eixo de Resistência”, uma rede de organizações hostis a Israel que inclui o Hezbollah libanês e o Hamas. Em agosto de 2024, Ahmad Ghaleb al-Rahwi havia visitado o escritório do grupo terrorista Hamas em Sanaa.
Nos últimos tempos, os Houthis, alinhados ao Irã, têm atacado embarcações no Mar Vermelho em atos que descrevem como solidariedade aos palestinos em Gaza. Eles também lançaram mísseis contra Israel, embora a maioria tenha sido interceptada. Em retaliação, Israel respondeu com ataques a áreas controladas pelos Houthis no Iêmen, incluindo o estratégico porto de Hodeidah. No último domingo (24), Israel realizou outros ataques contra a sede do governo do Iêmen, em retaliação a mísseis Houthis disparados contra seu território, resultando em duas mortes e cinco feridos em Sanaa. Israel não comentou imediatamente a morte de al-Rahwi, mas já havia declarado que tinha líderes Houthi como alvo dias após o grupo disparar um míssil com um novo tipo de submunição de fragmentação.
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