Durante o programa Bom Dia, Ministro nesta terça-feira (17), com participação da Rádio Sociedade da Bahia, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu o fim da escala 6×1 como forma de corrigir o que classificou como um desequilíbrio histórico nas relações de trabalho no Brasil.
Em resposta a questionamento sobre os impactos da medida em cidades como Salvador, onde o setor de comércio e serviços representa cerca de 70% do PIB, Boulos afirmou que não há uma “balança a equilibrar”, pois, segundo ele, o sistema atual já favorece excessivamente o lado empresarial.
O ministro rebateu críticas de empresários sobre possível queda na produtividade, argumentando que trabalhadores mais descansados tendem a produzir mais. “Um trabalhador exausto não vai ter alta produtividade. Isso já foi comprovado em diversos estudos internacionais”, destacou.
Boulos também apontou que a falta de tempo é um dos principais entraves para a qualificação profissional. “Como o trabalhador vai se qualificar se não tem tempo nem para respirar?”, questionou.
Além disso, ele defendeu que o aumento da produtividade no país passa por investimentos em tecnologia e formação, e não apenas pela ampliação da jornada de trabalho. Para o ministro, parte da resistência do empresariado está ligada à redução das margens de lucro.
“Estamos falando de redistribuição de renda. O empresário perde um pouco da margem, e o trabalhador ganha tempo para descansar e conviver com a família”, afirmou. Segundo ele, o impacto econômico negativo apontado por críticos da proposta não se sustenta diante da concorrência de mercado.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a regulamentação do trabalho segue em debate no governo federal e entre representantes de trabalhadores e empresários.