Lideranças da indústria e do comércio intensificaram, nesta terça-feira (3), a articulação para frear o avanço no Congresso de propostas que extinguem a chamada escala 6×1 modelo que prevê seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso. Durante encontro com parlamentares de diferentes frentes, representantes do setor produtivo defenderam que o tema não seja votado neste ano e que qualquer mudança na jornada seja debatida com mais profundidade, longe do que classificam como influência do calendário eleitoral.
A discussão ganhou força após o presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizar que pretende pautar ainda no primeiro semestre uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o modelo atual. A revisão da jornada também integra o discurso político do presidente Lula , cuja base defende a redução da carga horária máxima para 40 horas semanais sem corte salarial. Para o empresariado, no entanto, mudanças estruturais desse porte exigem análises técnicas detalhadas sobre impactos na produtividade, nos custos e no emprego formal.
À frente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban afirmou que o debate precisa ocorrer de forma “serena e responsável”, evitando decisões apressadas. Representantes do setor devem entregar ao presidente do Senado Federal do Brasil, Davi Alcolumbre, um manifesto defendendo diálogo técnico e construção de consensos antes de qualquer deliberação. A estratégia é postergar a tramitação para depois das eleições de 2026, quando, na avaliação das entidades, o ambiente político estaria menos polarizado para discutir uma reforma com impactos amplos no mercado de trabalho.