Com um fluxo estimado em cerca de meio milhão de pessoas por dia, a Estação da Lapa, em Salvador, tornou-se palco de uma nova estratégia de enfrentamento à violência contra a mulher. O espaço, um dos mais movimentados da capital baiana, foi escolhido pela Polícia Civil da Bahia para lançar um projeto permanente de prevenção e garantia de direitos. A iniciativa instala um posto fixo de atendimento no terminal, aproximando os serviços de proteção da rotina de quem circula diariamente pelo local.
Desenvolvido pelo Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV), o projeto prevê ações educativas e informativas ao longo de todo o ano, com atendimentos às terças e quintas-feiras. No local, vítimas poderão registrar ocorrências, receber orientações sobre direitos e canais de denúncia, além de contar com acolhimento humanizado. A diretora do departamento, a delegada Juliana Fontes, destacou que a proposta vai além do mês simbólico de março e abrange também crianças, adolescentes, idosos e vítimas de racismo ou intolerância, reforçando a importância de uma escuta qualificada e sensível.
A presença do posto já chama a atenção de quem passa pela estação. Para muitos usuários, a iniciativa representa não apenas apoio imediato, mas também um recado claro de que a violência não pode ser silenciada. Dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que, em 2025, o país registrou 1.470 casos de feminicídio uma média alarmante de quatro mulheres mortas por dia. Com o suporte da Defensoria de Proteção de Direitos Humanos, o projeto busca fortalecer uma rede de acolhimento e conscientização, transformando a movimentada estação em um ponto de apoio e resistência contra a violência.