Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU expôs, nesta semana, o racha geopolítico em torno da Venezuela. Aliados históricos do regime de Nicolás Maduro, Rússia e China partiram para o ataque verbal contra os Estados Unidos, condenando a operação norte-americana em território venezuelano. Enquanto a gestão Donald Trump classifica Maduro como “fugitivo da Justiça” e sustenta que a ação visou o “cumprimento da lei”, Moscou reagiu com acusações duras e diretas.
O embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, acusou Washington de hipocrisia e cinismo, afirmando que a Casa Branca sequer tentou disfarçar o que chamou de “operação criminosa” para se apoderar dos recursos energéticos da Venezuela. Segundo ele, a ofensiva norte-americana inaugura um novo capítulo de neocolonialismo e imperialismo, com impactos que vão muito além das fronteiras venezuelanas.
Na mesma linha, a China elevou o tom. O representante chinês Fu Cong classificou a ação dos Estados Unidos como um caso explícito de “bullying internacional” e reforçou que nenhum país tem autoridade para agir como polícia ou tribunal do mundo. Cong alertou ainda que a iniciativa do governo Trump pode provocar consequências graves para a paz internacional e desestabilizar ainda mais a América Latina.
O Brasil também deve se posicionar criticamente sobre a operação, ampliando o coro de reprovação no cenário diplomático. Do lado americano, o embaixador Mike Waltz defendeu a ação e afirmou que Maduro é um fugitivo da Justiça dos EUA, responsabilizando-o pela morte de milhares de norte-americanos. Waltz foi além: descreveu o líder venezuelano como narcotraficante, presidente ilegítimo e chefe de um regime que, segundo ele, manipulou eleições por anos para se manter no poder.