O ministro André Mendonça impôs limites rigorosos ao acesso da Polícia Federal às investigações envolvendo o Banco Master, ao vetar a participação da cúpula da corporação e definir, de forma precisa, quem pode atuar no caso. Embora tenha reforçado a autonomia técnica dos investigadores e revogado a orientação anterior sobre a escolha de peritos, o novo relator deixou claro, em sua primeira decisão de peso, que o processo exige controle estrito de informações e observância absoluta do sigilo.
No despacho de onze páginas, Mendonça enfatiza repetidamente a necessidade de confidencialidade e estabelece que apenas autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos podem acessar os dados, com dever de manter o trabalho em segredo inclusive diante de superiores hierárquicos e outras autoridades públicas. A decisão surge após o desgaste no Supremo Tribunal Federal provocado por um relatório da PF que mencionava o ministro Dias Toffoli, entregue pelo diretor geral Andrei Rodrigues ao presidente da Corte, Edson Fachin. O documento, com mais de 200 páginas, tratava da relação de Toffoli com o empresário Daniel Vorcaro, o que levou à mudança de relatoria.
A partir de agora, por determinação de Mendonça, o acesso ao conteúdo das apurações fica restrito aos investigadores diretamente designados, com delimitação clara das atribuições de cada diretoria da PF. A Corregedoria Geral, por exemplo, só poderá consultar informações estritamente ligadas a eventuais condutas de policiais com repercussão criminal ou administrativa, enquanto a Diretoria de Inteligência terá compartilhamento limitado aos agentes que comprovadamente necessitem dos dados para exercer suas funções. O ministro também advertiu contra a abertura de novas investigações sem comunicação prévia ao Judiciário, num recado interpretado internamente como crítica a apurações realizadas sem autorização judicial.