Durante entrevista ao Conexão Sociedade nesta sexta-feira (29), o senador Otto Alencar (PSD), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, fez duras críticas à impunidade no Brasil e cobrou mais celeridade na reforma do Código Penal.
A fala surgiu após menção da jornalista Jéssica Smetak ao crescente número de criminosos reincidentes, inclusive traficantes, liberados com tornozeleira eletrônica. Otto reconheceu a gravidade da situação e destacou que segurança pública deve ser pensada de forma ampla, com investimentos em educação, saúde e esporte, mas defendeu medidas urgentes enquanto essas políticas não são plenamente implementadas.
Otto afirmou que o Senado Federal já aprovou medidas importantes que estão paradas na Câmara dos Deputados. Entre elas, o fim do foro privilegiado, aprovado há mais de cinco anos no Senado, e a prisão após condenação em segunda instância. “Nós fizemos nossa parte. O foro privilegiado protege o crime do colarinho branco. Está parado na Câmara porque alguns querem evitar que casos em instâncias superiores sejam julgados com mais rapidez”, declarou.
O senador ainda comentou sobre um projeto recente aprovado no Senado que visa punir adultos que usam crianças para obter vantagens em redes sociais. Para ele, isso demonstra que o Senado tem atuado com firmeza em temas que afetam diretamente a sociedade, mesmo diante de obstáculos políticos.
Sobre a chamada “PEC da blindagem”, que tramita na Câmara e prevê que deputados, senadores e até vereadores só possam ser investigados com autorização de suas respectivas casas legislativas, Otto foi categórico: “Se essa proposta chegar à CCJ, eu vou derrubar. É um absurdo completo. Querem criar uma casta intocável. É uma falta de respeito com o povo brasileiro.”
O senador baiano reforçou seu compromisso com a transparência e a justiça, afirmando que sua posição já foi tornada pública nas redes sociais. “Não é possível que queiram impedir a Polícia Federal ou o Ministério Público de investigar parlamentares sem autorização da Casa. Isso é uma brincadeira com o Brasil. E comigo, na Comissão de Constituição e Justiça, isso não vai passar”, garantiu.