No Brasil, o voto é mais do que um direito: é um dever constitucional para cidadãos alfabetizados entre 18 e 70 anos. Apesar disso, ainda há quem trate a ausência nas urnas como algo irrelevante, limitado ao pagamento de uma multa simbólica. O cenário, porém, é bem mais sério. Com a integração de dados entre o Tribunal Superior Eleitoral e a Receita Federal, a situação eleitoral irregular pode ultrapassar o campo político e atingir diretamente a vida civil e financeira do cidadão. O que começa como uma simples pendência eleitoral pode se transformar em um problema burocrático de grandes proporções no dia a dia.
O ponto de partida desse “efeito dominó” é o cancelamento do título de eleitor, que ocorre após três ausências consecutivas sem justificativa considerando que cada turno de votação conta como uma eleição. Com o título cancelado, a inconsistência é identificada pela Receita Federal, e o CPF passa a constar como “pendente de regularização”. A partir daí, surgem restrições legais importantes: o cidadão pode enfrentar dificuldades para movimentar contas bancárias, contratar empréstimos e financiamentos, realizar operações de câmbio, além de ficar impedido de receber benefícios sociais e até mesmo a restituição do Imposto de Renda. Regularizar a situação eleitoral, portanto, vai muito além de cumprir uma obrigação cívica: é uma medida essencial para evitar transtornos que impactam diretamente a vida prática.