O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a realização de uma inspeção no Banco Central no âmbito do processo que analisa a liquidação extrajudicial do Banco Master. A decisão foi tomada pelo ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, após considerar insuficiente a nota técnica enviada pelo órgão regulador para explicar as razões que levaram à intervenção. Segundo o presidente do TCU, ministro Vital Rêgo, a medida faz parte de um trabalho técnico em curso que busca esclarecer os fundamentos técnico-jurídicos e operacionais da atuação do Banco Central no episódio.
O relator acolheu representação do Ministério Público Federal junto ao TCU, que aponta possíveis falhas na supervisão exercida pelo Banco Central sobre o Banco Master S.A. e suas controladas antes da decretação da liquidação. Embora o órgão regulador tenha apresentado uma nota técnica com o histórico do processo e as justificativas para a decisão, o ministro avaliou que o documento se limitou a uma exposição resumida dos fatos, sem o envio do conjunto de documentos internos necessários para a verificação objetiva das informações apresentadas.
Em seu despacho, Jhonatan de Jesus destacou a necessidade de aprofundar a apuração para formar convicção sobre a coerência da medida adotada diante dos riscos e irregularidades identificados. O ministro também considerou pertinentes os argumentos do Ministério Público de que pode ter havido omissão ou resposta insuficiente a sinais de deterioração financeira da instituição, o que teria ampliado os riscos ao Sistema Financeiro Nacional, com impactos sobre credores, investidores e depositantes, além de possível pressão sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).