Em entrevista ao programa Sociedade Urgente, nesta terça-feira (6), o senador Jaques Wagner (PT) criticou a operação dos Estados Unidos contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, classificando o episódio como uma violação das regras internacionais e um ataque à soberania nacional.
“Todos que conhecem a legislação internacional da ONU sabem que o episódio que aconteceu na Venezuela ultrapassa qualquer tipo de regramento internacional”, afirmou Wagner. Segundo o senador, a Organização das Nações Unidas foi criada após a Segunda Guerra Mundial justamente para evitar abusos entre países e garantir a paz mundial. “Depois da Segunda Guerra Mundial, quando milhões morreram na Europa e na Rússia, a ideia foi criar um templo da democracia, de forma que os conflitos entre nações pudessem ser administrados por um conselho com representação de todos os países. O que vemos agora é uma violação desses tratados”, disse.
Wagner destacou que, apesar de o Brasil não ter reconhecido o processo eleitoral que reelegeu Maduro, isso não autoriza intervenções externas. “Independente de não reconhecer, nós entendemos que cada país tem que administrar os seus problemas. Não sou eu que vou lá na Venezuela dizer como devem agir”, afirmou.
O senador também traçou um paralelo com experiências brasileiras: “Vivemos algo parecido em 2025, quando os Estados Unidos impuseram tarifas sobre produtos brasileiros. Mas, mesmo diante de dificuldades, conseguimos abrir mais de 50 novas parcerias comerciais e aumentar nossas exportações. Isso mostra que cada problema também pode ser uma oportunidade.”
Wagner lembrou ainda que a disputa pelo petróleo venezuelano é histórica. “A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo. Quando Chávez nacionalizou a indústria, empresas americanas que exploravam o petróleo se sentiram prejudicadas. Hoje, o país retira apenas um terço do que produzia antes, justamente por questões tecnológicas e de gestão”, explicou.
Sobre o episódio recente, Wagner afirmou que ainda há muitas incertezas sobre os impactos da operação: “É curioso ver como saem poucas informações confiáveis: quantos prédios foram destruídos, quantas pessoas morreram, quem foi traído. No fundo, é como se alguém entrasse na sua casa e dissesse: ‘Agora quem manda aqui sou eu’. É meio esquisito.”
Para Wagner, o caso evidencia a importância do respeito à soberania nacional. “A violação da Venezuela é extremamente preocupante. Não afeta diretamente o Brasil, mas cria um clima internacional perigoso, que todos os países deveriam condenar.”