A secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (Sepromi), Ângela Guimarães, afirmou que casos de racismo e intolerância religiosa também são registrados durante o Carnaval. Em entrevista ao programa Sociedade Urgente, com Adelson Carvalho, nesta quinta-feira (12), ela destacou que comportamentos discriminatórios ainda estão naturalizados na sociedade e acabam se manifestando em ambientes de festa. Segundo a gestora, é comum que práticas racistas sejam tratadas como brincadeira, fantasia ou piada, quando, na verdade, configuram crime.
Ângela relembrou que a primeira grande campanha da pasta, lançada em 2023 no governo Jerônimo Rodrigues, trouxe o alerta de que racismo não é cantada, não é fantasia e não é brincadeira. Ela citou como exemplo casos de pessoas que recorrem ao blackface, utilizam perucas e caracterizações depreciativas ou reproduzem falas ofensivas sob o argumento de que seriam atitudes “da época” ou ensinadas por gerações anteriores. A secretária também mencionou um episódio recente no ensaio do Bloco Olodum, no Pelourinho, onde uma turista foi acusada de injúria racial e de cuspir em uma trabalhadora, reforçando que nem mesmo em momentos de celebração a população está imune a esse tipo de violência.
Diante desse cenário, a Sepromi intensifica as ações educativas durante o Carnaval, com mobilizadores nos circuitos, equipes nos portais de acesso distribuindo materiais informativos e orientando sobre canais de denúncia. Além do trabalho preventivo, a secretaria articula uma rede de apoio para garantir que casos de racismo e intolerância religiosa sejam registrados e encaminhados às autoridades competentes, fortalecendo o enfrentamento e a responsabilização dos envolvidos.