A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (25) o projeto de decreto legislativo que ratifica o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O texto, que destrava uma negociação iniciada há mais de 25 anos, segue agora para análise do Senado Federal, com expectativa de ratificação ainda no primeiro trimestre de 2026.
O tratado prevê a criação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Pelas regras aprovadas, a União Europeia deverá eliminar tarifas de importação para 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos, enquanto o bloco sul-americano zerará as taxas para 91% dos produtos europeus no prazo de até 15 anos. A medida tende a beneficiar principalmente o agronegócio brasileiro, ampliando o acesso a cerca de 500 milhões de consumidores europeus.
Durante os debates, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo pretende implementar salvaguardas ambientais e industriais para fortalecer o acordo. A Federação PSOL-Rede foi a única a votar contra a proposta, sob o argumento de que o tratado pode ampliar a dependência do Brasil na exportação de commodities agrícolas. O texto já havia sido aprovado por unanimidade na Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul e ainda precisa ser ratificado pelos Congressos de Argentina, Paraguai e Uruguai, além de avançar nas etapas de validação na Europa, onde enfrenta resistência de países como França e Irlanda.