O Irã anunciou neste sábado (20), um novo fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás. A medida foi adotada após Teerã acusar Israel de violar o cessar-fogo no sul do Líbano, condição prevista no memorando de entendimento firmado nesta semana entre os governos iraniano e norte-americano para encerrar as hostilidades no Oriente Médio. Em resposta ao anúncio, a Marinha dos Estados Unidos afirmou que segue em estado de vigilância na região.
No sul do Líbano, tropas israelenses voltaram a enfrentar combatentes do Hezbollah, enquanto ataques aéreos deixaram mortos em diversas localidades. Israel acusou o grupo libanês de lançar mais de 50 projéteis contra suas forças, enquanto o Hezbollah afirmou ter reagido a uma tentativa de infiltração israelense em uma área estratégica próxima à cidade de Nabatieh. Segundo a agência de defesa civil libanesa, ao menos 16 pessoas morreram na região nas últimas horas. Desde o início do conflito, em março, os bombardeios israelenses no Líbano já provocaram mais de 4 mil mortes, de acordo com o Ministério da Saúde do país.
A escalada militar ameaça comprometer o acordo firmado entre Washington e Teerã, que previa a reabertura do Estreito de Ormuz, o início de negociações sobre o programa nuclear iraniano e a suspensão gradual de sanções econômicas. Apesar do adiamento das conversas oficiais que ocorreriam na Suíça, delegações dos dois países já estão no território suíço para reuniões técnicas mediadas por representantes do Paquistão e do Catar. O governo iraniano alertou que, caso o entendimento não seja implementado rapidamente, todo o acordo poderá ser colocado em risco.