A Operação Sintonia de Gravata, deflagrada nesta sexta-feira (3), teve como um dos principais alvos um grupo de advogados suspeito de atuar como elo entre lideranças de facções criminosas presas e integrantes das organizações em liberdade. Entre os oito profissionais detidos estão três advogados de Serrinha, uma de Feira de Santana e quatro integrantes de conselhos da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Bahia (OAB-BA). A lista inclui Fernanda Oliveira Borges, reconhecida como a primeira advogada trans da Bahia, além de Luan Mascarenhas de Souza, Ícaro Cardoso Viana, Maria Tereza Novaes Martins, Izabela da Silva de Oliveira, Maria Mariana Batista de Oliveira, Tamires Felix Alves Silva e Luã Santos da Costa.
As investigações, conduzidas de forma integrada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), Polícia Civil, Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) e Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), apontam que os advogados teriam se valido das prerrogativas da profissão para burlar o regime de isolamento imposto a detentos em presídios de segurança máxima, transmitindo ordens e informações que permitiam a continuidade das atividades criminosas. Ao todo, a operação cumpriu 22 mandados de prisão preventiva, incluindo ordens contra líderes de facções já custodiados, além de mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens dos investigados. Segundo os órgãos responsáveis, a ofensiva busca desarticular uma estrutura que mantinha ativa a comunicação entre chefes do crime organizado e seus comparsas em liberdade, garantindo a gestão do tráfico de drogas, da circulação de armas e da movimentação de recursos financeiros mesmo a partir do sistema prisional.