Abril Verde, mês dedicado à conscientização sobre saúde e segurança no trabalho, ganha destaque em 2026 com a atualização da NR-1, que entra em vigor em maio. A norma, que define diretrizes gerais de segurança e saúde ocupacional, passa a incluir de forma estruturada os riscos psicossociais, exigindo das empresas medidas preventivas e estratégicas para proteger a saúde mental de seus colaboradores.
Segundo a médica do trabalho Ana Paula Teixeira, o momento é decisivo para que as empresas deixem de tratar o tema apenas como bem-estar e o vejam como questão de gestão e sustentabilidade. “Não é mais possível dissociar produtividade de saúde mental”, afirma, destacando que colaboradores afetados impactam diretamente nos resultados e na cultura organizacional.
O cenário brasileiro evidencia essa urgência: em 2025, o país registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o segundo maior número da última década. Ansiedade, depressão e síndrome de burnout estão entre as principais causas, refletindo ambientes com alta pressão, sobrecarga e falta de suporte psicológico adequado. A NR-1 atualizada exige que empresas identifiquem, avaliem e controlem fatores como estresse ocupacional, assédio e excesso de demandas, criando políticas estruturadas, treinando lideranças e monitorando continuamente o ambiente de trabalho.
Apesar dos avanços, o nível de preparo ainda é preocupante. Pesquisa recente aponta que 35% dos líderes brasileiros desconhecem a NR-1 e suas exigências. Para Ana Paula Teixeira, a conscientização é o primeiro passo: “Instituições que se anteciparem não apenas estarão em conformidade com a lei, mas também construirão ambientes mais resilientes, produtivos e saudáveis para todos.”