O Ministério da Agricultura e Pecuária determinou a suspensão imediata e temporária das importações de amêndoas fermentadas e secas de cacau oriundas da República da Costa do Marfim, após identificar riscos fitossanitários associados ao intenso fluxo de grãos provenientes de países vizinhos que podem ser misturados às cargas destinadas ao Brasil. A decisão, formalizada por despacho decisório, busca preservar a sanidade da lavoura cacaueira nacional e impedir a entrada de pragas e doenças que poderiam comprometer uma das cadeias produtivas mais tradicionais do país.
A medida é fruto de uma articulação ampla e estratégica liderada pelo Governo da Bahia, que manteve diálogo permanente com o governo federal, representantes do setor produtivo, parlamentares estaduais e federais, além de órgãos técnicos. A atuação coordenada resultou, inclusive, no envio de missão técnica à África, que apontou inconsistências nos fluxos de exportação para o Brasil. Segundo o governador Jerônimo Rodrigues, o trabalho conjunto com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reforça o compromisso com a defesa fitossanitária e com a proteção da renda do produtor. Para Jeandro Ribeiro, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional, a suspensão demonstra vigilância e responsabilidade diante de um cenário de instabilidade no mercado do cacau.
Além de barrar temporariamente as importações, a Bahia impulsiona uma agenda estruturante para enfrentar a crise do setor, que envolve desde debates sobre o regime de drawback até o fortalecimento da fiscalização, da assistência técnica e da recomposição institucional da CEPLAC, bem como a defesa de um plano nacional de contenção da monilíase. Em paralelo, ações com a CONAB visam dar mais transparência às previsões de safra, contribuindo para maior estabilidade de preços. A suspensão das importações, assim, consolida-se como um passo concreto dentro de uma estratégia mais ampla para garantir segurança sanitária, previsibilidade econômica e sustentabilidade à cacauicultura brasileira, especialmente à produção baiana.