O projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) iniciou uma nova fase para rastrear a fauna marinha no sul da Bahia por meio da análise de amostras de água. Coordenado pelo Centro Tamar/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com o Instituto Tecnológico da Vale (ITV), o estudo utiliza a técnica moderna de DNA Ambiental. O método pioneiro capta vestígios biológicos como escamas e urina deixados no ambiente, permitindo identificar dezenas de espécies de forma simultânea sem a necessidade de capturar ou isolar os animais.
As coletas foram realizadas em 30 pontos estratégicos das reservas extrativistas da Ponta do Corumbau e Cassurubá, priorizando áreas de pesca comunitária e locais com potencial presença de espécies invasoras, como o peixe-leão, ou ameaçadas de extinção, a exemplo dos budiões. O material recolhido já foi encaminhado para o laboratório do ITV em Belém do Pará, onde passará por filtragem e sequenciamento genético. O objetivo principal do monitoramento é avaliar a eficácia do uso desse modelo tecnológico em larga escala nas unidades de conservação federais do país.
Em funcionamento desde 2023, o GBB é a maior iniciativa de mapeamento genômico do Brasil e já gerou dados de referência de animais símbolos do país, como a onça-pintada e a arara-azul.
Além de apoiar as estratégias de conservação e bioeconomia do ICMBio, os pesquisadores explicam que decodificar o genoma funciona como uma “cápsula do tempo”. Essas informações estruturadas ajudam a entender como a fauna brasileira resistiu a crises climáticas no passado, servindo de base para proteger as espécies contra o aquecimento global atual.