A prisão do empresário Sérgio Nahas, quase 24 anos após o assassinato da esposa, voltou a colocar em evidência um dos casos criminais mais conhecidos do país. Ele foi detido no sábado (17), em Praia do Forte, no litoral da Bahia, após ser identificado por câmeras de reconhecimento facial. Condenado definitivamente a oito anos e dois meses de prisão em regime fechado, Nahas tinha mandado expedido pela Justiça de São Paulo desde 25 de junho de 2025, após o esgotamento dos recursos no Supremo Tribunal Federal (STF).
O crime ocorreu em setembro de 2002, no apartamento do casal, no bairro de Higienópolis, região central da capital paulista. A vítima, a estilista Fernanda Orfali, de 28 anos, foi morta com um disparo no peito, que atingiu o coração. No dia do homicídio, ela chegou a telefonar para o irmão pedindo socorro, mas foi encontrada sem vida quando familiares chegaram ao local.
Desde o início, o caso foi marcado por versões divergentes. Sérgio Nahas afirmou que ouviu um tiro vindo do closet e encontrou a esposa ferida. A defesa sustentou a tese de suicídio, alegando que Fernanda enfrentava depressão. No entanto, laudos periciais descartaram essa hipótese, ao não identificar resíduos de pólvora nas mãos da vítima e ao apontar indícios de alteração na cena do crime.
Segundo o Ministério Público, Fernanda tentou se proteger ao se trancar no closet, mas a porta foi arrombada. Em seguida, Nahas teria efetuado dois disparos, sendo que o primeiro atingiu a vítima e o segundo saiu pela janela. A acusação apontou ainda que o crime teria sido motivado por conflitos conjugais, após a estilista descobrir traições, uso de drogas e diante do temor do empresário em relação à partilha de bens.
O processo judicial se estendeu por mais de uma década e teve a primeira condenação em 2018, quando o Tribunal do Júri fixou pena de sete anos em regime semiaberto. Após recursos, a punição foi elevada para oito anos e dois meses, em regime fechado, com decisão mantida pelo STJ e pelo STF. Durante a prisão na Bahia, foram apreendidos um carro modelo Audi, três celulares, cartões, medicamentos e pinos de cocaína. O empresário, de 61 anos, foi encaminhado às autoridades e deve ser transferido para São Paulo para cumprir a pena.