A analista política Clarissa Oliveira avalia que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, tem buscado reconstruir pontes entre o bolsonarismo e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ela, essa movimentação ocorre após um período de desgaste na relação entre os dois campos políticos, provocado pela aproximação do governo Lula com a administração americana. Para a analista, o cenário mudou quando Lula passou a atuar como principal interlocutor do Brasil nas negociações envolvendo o chamado “tarifaço” defendido por Washington, o que teria enfraquecido o discurso de proximidade que o bolsonarismo costumava exibir com o trumpismo.
De acordo com Clarissa, uma das brechas que surgem para reaproximar esses grupos está no debate sobre segurança pública, especialmente na tentativa de setores do governo norte-americano de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. O tema, segundo ela, dialoga diretamente com pautas defendidas por aliados de Jair Bolsonaro no Congresso e alimenta a narrativa de que o governo petista seria complacente diante do avanço do crime organizado. Nesse contexto, Flávio Bolsonaro teria encontrado espaço para se projetar como antagonista político de Lula, impulsionado tanto por estratégias próprias quanto pelo desgaste enfrentado pelo PT. A possível visita de um assessor próximo de Trump ao Brasil, com chance de encontro com Jair Bolsonaro, também reforça essa movimentação de reaproximação entre os dois campos políticos.