O presidente Lula avalia incluir, em seu programa político para as eleições de 2026, a possibilidade de a Petrobras voltar a atuar diretamente no mercado de distribuição de combustíveis. A discussão ganhou força dentro do governo federal em meio aos reflexos da guerra no Oriente Médio sobre o preço do petróleo e dos derivados. No Palácio do Planalto, há a percepção de que a presença de postos vinculados à estatal poderia aumentar a concorrência no setor e ajudar a conter práticas de preços considerados abusivos. Integrantes do governo lembram que, quando a antiga rede da empresa ainda estava em operação, os valores praticados serviam como referência para o mercado, mesmo que a companhia controlasse apenas parte da distribuição nacional.
A proposta, contudo, esbarra em limitações contratuais firmadas durante a venda da antiga BR Distribuidora, hoje Vibra Energia. O acordo fechado em 2019 inclui uma cláusula de não concorrência que impede a Petrobras de criar ou operar uma nova rede de postos até meados de 2029. Paralelamente, o governo também busca pressionar o setor para garantir que reduções de custos cheguem ao consumidor final. Nos últimos dias, ministros se reuniram com representantes de distribuidoras para cobrar o repasse das reduções tributárias e subsídios anunciados em resposta ao cenário internacional. Além disso, o Planalto pretende ampliar a atuação da Agência Nacional do Petróleo na fiscalização do mercado e determinou que os postos exibam de forma clara as quedas de preços decorrentes de cortes de impostos e incentivos, sob risco de multas que podem chegar a R$ 1 bilhão.