O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após o registro de casos graves em pessoas imunizadas. Entre os episódios monitorados, três pacientes precisaram ser internados e dois morreram.
Até 30 de maio, mais de 500 mil doses do imunizante haviam sido aplicadas no país. Segundo os dados de monitoramento, 3.703 pessoas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue após receber a vacina, o equivalente a 0,7% dos vacinados. Desses casos, 42 evoluíram com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou sangramentos.
Os dois óbitos investigados são de um homem de 58 anos e uma mulher de 48. Além das mortes, uma terceira pessoa também precisou de internação. As apurações vão analisar o histórico clínico dos pacientes, doenças preexistentes, fatores de risco individuais, possíveis falhas na aplicação da vacina e outras causas que possam explicar os quadros registrados.
Os eventos chamaram a atenção das autoridades sanitárias por não terem sido observados durante as fases de testes clínicos do imunizante. Por precaução, a estratégia de vacinação com a vacina do Butantan foi interrompida até a conclusão das investigações.
A vacina foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano e vinha sendo aplicada de forma monitorada para avaliar seu impacto na redução dos casos de dengue na população.
O Ministério da Saúde afirma que a suspensão não significa que a vacina tenha perdido sua eficácia nem que os vacinados estejam desprotegidos contra a doença. A medida vale apenas para o imunizante produzido pelo Instituto Butantan. A vacina Qdenga, fabricada pela Takeda e também utilizada no SUS, continua sendo aplicada normalmente.
