O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, reafirmou a líderes partidários que pretende conduzir a discussão sobre o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1 por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), mantendo o cronograma já desenhado pela Casa. A posição foi mantida mesmo diante da movimentação do governo federal, que sinaliza outro caminho para tratar o tema. Nos bastidores, a estratégia da Câmara é preservar o rito legislativo próprio das PECs, considerado mais estável e menos sujeito a pressões de curto prazo.
A divergência de abordagens ganhou força após o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmar que o presidente Lula deve encaminhar um projeto de lei com urgência constitucional para extinguir a escala 6×1. Enquanto o Planalto aposta na pressão do prazo que pode travar a pauta da Câmara caso a proposta não seja analisada, aliados de Motta destacam que esse mecanismo não se aplica às PECs, o que garantiria maior controle sobre o andamento da matéria. A proposta deve começar a tramitar pela Comissão de Constituição e Justiça, sob relatoria do deputado Paulo Azi, com previsão de análise inicial já nos próximos dias e avanço para comissão especial antes de seguir ao plenário.