O plenário do Senado protagonizou, na noite desta quarta-feira (29), um duro revés para o governo federal ao rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Em uma votação secreta e carregada de tensão nos bastidores, o nome do então advogado-geral da União não alcançou os votos necessários, frustrando os planos do Planalto de emplacar mais um ministro na Corte.
Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda em novembro do ano passado, Messias percorreu meses de articulação política intensa. Ao lado de aliados e da base governista, buscou consolidar apoio entre senadores, em um processo marcado por negociações e expectativas crescentes, que, ao fim, não se confirmaram no plenário.
O placar revelou a divisão da Casa: foram 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção. O resultado, guardado sob o sigilo da votação, expôs resistências significativas ao nome escolhido pelo Executivo, transformando a sessão em um capítulo emblemático da relação entre os poderes.
Antes de chegar ao plenário, Messias enfrentou uma longa sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, que se estendeu por cerca de oito horas. Durante o debate, temas sensíveis dominaram a discussão, como aborto, o papel institucional do Supremo e os desdobramentos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Apesar de ter sido aprovado na comissão por 16 votos a 11, o aval não foi suficiente para garantir sua chegada à mais alta Corte do país.