Autoridades de saúde da Índia reforçaram as medidas de vigilância após a confirmação de um novo surto do vírus Nipah. Cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena preventiva, principalmente após dois profissionais da área da saúde testarem positivo no início de janeiro. A doença, considerada altamente letal, integra a lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) de patógenos com potencial de causar epidemias.
O vírus pode provocar desde sintomas leves até quadros graves, como infecções respiratórias severas e inflamação do cérebro. A transmissão ocorre tanto entre pessoas quanto a partir de animais, especialmente morcegos frugívoros e suínos. Além disso, alimentos contaminados por secreções desses animais também representam uma possível via de infecção.
De acordo com especialistas, o Nipah preocupa por não contar, até o momento, com vacina ou tratamento específico. O atendimento aos pacientes é baseado no controle dos sintomas e no suporte intensivo, principalmente em casos que envolvem complicações neurológicas ou respiratórias. A taxa de mortalidade pode chegar a até 70%, variando conforme a estrutura local de atendimento.
No Brasil e em outros países da América Latina, o risco é considerado baixo, já que a região não abriga os principais hospedeiros naturais do vírus. Ainda assim, autoridades sanitárias acompanham a situação internacionalmente, uma vez que o patógeno já foi identificado em diversos países da Ásia e da África, sempre associado a populações de morcegos.
O vírus foi detectado pela primeira vez em 1999, na Malásia, durante um surto entre criadores de porcos. Desde então, episódios recorrentes têm sido registrados, principalmente em Bangladesh e na Índia. Especialistas apontam que a destruição de habitats naturais e o avanço das atividades humanas sobre áreas silvestres aumentam o contato com animais infectados, facilitando a transmissão.
Segundo a OMS, a prevenção depende principalmente de informação e cuidados básicos, como evitar o consumo de frutas e bebidas possivelmente contaminadas, usar equipamentos de proteção ao lidar com animais e manter distância de pessoas infectadas. A recomendação é fortalecer campanhas educativas e ações de vigilância para reduzir o risco de novos surtos e conter rapidamente a disseminação da doença.